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Seg 31/05/10
SAMBA-ENREDO

E essa agora, virei samba-enredo.



A HISTÓRIA DE
OTACÍLIO D' ASSUNÇÃO,
34 ANOS DE DEDICAÇÃO.



É isso aí
Um cartunista
Que fez sucesso
Lá na Revista (Ai!)

Foi um tempão
de desempenho
Otacílio D'Assunção
O Rei do Desenho

Até que um dia
Levou uma bota
Ficou na Rua
O famoso "Ota"

Chorando as pitangas,
com queixo no chão,
a revista MAD
feriu seu coração. (Ai!)

Otacílio D'Assunção
levou tudo a leilão,
diz que a MAD é diversão
de adolescente esquisitão.

Depois de muitos anos
seu segredo apareceu
venderia as revistas
que tanto tempo escondeu!

Otacílio D'Assunção
levou tudo a leilão,
diz que a MAD é diversão
de adolescente esquisitão.






Mirrah, Priscila e Udney, alunos do primeiro semestre de Cinema da Anhembi Morumbi, fizeram esse samba-enredo como atividade curricular e pelo visto o professor gostou.

Hum, agora só falta arrumar um bicheiro disposto a patrocinar.

Mas vejam bem, a verdade não é histórica. Não levei um pé na bunda, e sim mandei a editora tomar no cu. Não sei por que se espalhou a lenda ao contrário. Se bem que eles devem ter gostado quando mandei tomar no cu, há quem goste. De qualquer forma minha saída da Mad já é notícia velha, mas esses sambas-enredo sempre vão em cima de coisas do passado.

Daqui a pouco esse samba tá no sambódromo. Com bonecos gigantes da Preta do Leite, Gayzinho Gay e Maria Peituda desfilando pela avenida.
É, mas não esperem que eu vá pra avenida ver, vou ficar acompanhando pela televisão. Não vou ao vivo mesmo que seja a Tathiana Pagung-------->
fazendo o papel da Maria Peituda. Embora não pareça pela foto, já tive oportunidade de ver ao vivo (quer dizer ela tava com umas roupas na frente mas deu pra perceber) na época que eu era debatedor daquele programa do Guto Graça na Rádio Metropolitana onde ela ia também, tive a coragem de fazer a proposta em pleno programa pra ela ser a Maria Peituda no filme da Termas 69 mas ela gentilmente recusou a oferta, e nem chegou a me dar nenhuma bolacha. Aliás o fime continua parado por falta de patrocínio, é mais fácil arrumar grana pra escola de samba que pra fazer cinema ou mesmo um simples gibi.

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Sex 28/05/10
EEBA! PEITINHOS!

E o "escândalo" do momento são os peitinhos---->
da Hayley Williams, da banda Paramore, que vazaram na net de ontem pra hoje.





Segundo ela hackearam o Twitter dela e postaram a foto quando ela não tava olhando. Outros dizem que foi ela mesma que postou, e depois se arrependeu com a repercussão negativa e botou a culpa nos hackers. Mas QUE repercussão negativa?!!!!!!!

Bá que importa quem foi, se foi ela ou algum ex-namorado vingativo ou um hacker, a foto não tá de mau gosto e esses peitinhos são lindos. Enfim uma luz no meio do deserto. Eu já estava cansado dessa ditadura das peitudas que tomou conta do mundo. Estava mesmo na hora de alguém reverter a tendência. E nem são tão microscópicos assim, estão na medida certa. Parabéns, Hayley, mostre mais!

Viva os peitinhos da Hayley e morte às fábricas de silicone!

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Ter 25/05/10
AO INFINITO E ALÉM
Lembram das capas infinitas? As famosas "infinity covers" (talvez coubesse melhor a tradução "capa ao infinito"). São aquelas capas de gibis (ou outras revistas) que aparecem dentro delas mesmas, isto é, o personagem da capa está lendo ou segurando o próprio gibi que tem a capa que ele tá lendo ou segurando e assim por diante. Esse truque era muito comum nos anos 40 e 50, mas de vez em quando volta... tem até colecionadores de capas infinitas, isto é, em vez de colecionar algum personagem colecionam só capas infinitas.

Embaixo vemos uma das primeiras, a do Batman no. 8, datado de dezembro de 1941. Gostaram tanto por aqui que imitaram essa capa no Lobinho do mesmo mês. Na verdade não foi uma publicação simultânea, pois os gibis americanos saíam nas bancas com a data de três meses depois nessa época, então o americano deve ter saído em setembro ou outubro, por isso deu tempo pra eles copiarem aqui. Esse scan do Lobinho que achei está meio esmaecido, mas acho que a impressão era assim mesmo... os gibis americanos eram impressos em papel couchê, por isso as cores brilhavam mais. As capas do Lobinho eram num papel mais fosco.



Infelizmente não tenho dinheiro para comprar esses gibis pois os preços são bem salgados. Só porque a capa é infinita o preço sobe automaticamente. Mas tô montando uma coleção virtual. Já achei umas 40 capas infinitas, algumas de gibis de que nunca tinha ouvido falar. Vocês poderão conferir nesta galeria aqui.

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Seg 17/05/10
FIM DA LINHA
E a lista de séries canceladas está saindo... Heroes---->
foi pro saco. Lei e Ordem (a original) também, mais um ano teria batido o recorde de Gunsmoke de série que ficou mais tempo no ar. Se bem que no caso do Lei e Ordem nem chega a ser um caso de morte total, só fecharam uma das delegacias, a SVU continua e aquela outra Criminal Intent (agora estrelada pelo ex-Homem-Mosca) parece que ainda tá de pé. E outro dia zapeando por um canal desses vi passando um Lei e Ordem Reino Unido ou algo que o valha. E vem ai um Lei e Ordem Los Angeles, que deve aproveitar alguns personagens da série original. Bom, paciência, séries acabam e entram outras no lugar, a única que parece que não vai acabar nunca é a Grande Família, que continua cada vez mais engraçada.

Mas esse cancelamento ninguém esperava! Não é uma série de TV, mas uma tira, que tá com os dias contados.
<---Little Orphan Annie dará seu último suspiro antes de completar 86 anos de idade. Sua última aparição nos jornais americanos vai ser no dia 13 de junho próximo. Confesso que eu achava que a tira nem estava mais saindo. Aliás essa tira nem é do meu tempo, mas durante seu período áureo era uma das mais lidas nos EUA e saía aqui no Suplemento Juvenil. Era uma menina órfã que tinha um cachorrinho e foi adotada por um magnata careca que por sua vez parecia ser um parente do Pafúncio, que ninguém mais também lembra quem é.
Annie enfrentou a grande depressão, a II Guerra Mundial e mais tudo que aconteceu depois e continuava sendo uma menina de seus 8 anos. Nos anos 70 virou um musical da Broadway e este por sua vez virou um filme em 1982, telefilme da Disney etc. Mas a sua maior "versão" é a criada por Harvey Kurtzman para a revista Playboy, Little Annie Fanny----->
uma loura burra gostosona que era meio que uma mistura da Annie original com a Marilyn Monroe.
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Qui 13/05/10
60 ANINHOS

Darna, super-heroína filipina, faz 60 anos hoje. No post do dia 4 passado falei o que consegui apurar sobre ela. Hoje fica o registro da data, e uma dica para quem quiser ler as aventuras dela. Neste link do video48.blogspot.com tem como baixar as histórias clássicas da minha nova musa. Clicando nesta miniatura---->
também vai dar lá.

Graças ao simpático Simon Santos, dono do video48, pode-se passar horas e horas lendo o melhor dos quadrinhos filipinos, bem como ter uma panorâmica da indústria cinematográfica filipina, também muito rica. Outro blog muito bom é o a href="http://unanglabas.blogspot.com/" target="new">Unang Labas, que também posta com regularidade scans de belíssimas histórias. O único inconveniente é que os quadrinhos vêm em tagalo, mas digitando e jogando no tradutor automático do Google dá pra ter uma ideia do que eles dizem. A propósito, "unang labas" pelo Google significa "primeira corrida". Isso vinha escrito cada vez que uma série começava. Numa tradução mais apropriada seria "episódio de estreia" ou algo assim.

E essa nova ortografia me deixa louco. Quem está feliz são o Professor Pasquale que tem assunto garantido pra suas colunas e os revisores, que ganham um trocado a mais para consertar os textos publicados. Mas as regras são tão complicadas que todo mundo se confunde. Vai demorar um tempo pra eu me acostumar a escrever contrarregra em vez de contra-regra. Pior é com os acentos. Sou favorável a uma eliminação dos acentos, pois a maioria só serve pra atrapalhar. Claro, é legal manter alguns, senão a gente não saberia, ao ler "coco" se era "côco" ou "cocô"; aliás o
<----coco (fruta) antes da reforma ortográfica anterior a esta se escrevia "côco" com acento circunflexo, por causa dos diferenciais, não pra distinguir de cocô mas de coco (cóco) que é outra coisa. Aquela parada que tem em estafilococos, meningococos etc. E também uma variante de coque, aquele tipo de penteado. Mas pensando bem nem precisava tanto, porque pelo sentido a gente entende de qual coco ou cocô está falando. Por exemplo, se alguém escreve no Twitter "neste momento estou fazendo coco" é óbvio que está fazendo cocô, porque só quem pode fazer côco é o coqueiro; gente e bicho não faz coco, faz cocô (hum, melhor parar com esse assunto porque senão aquela minha amiga que estudou em colégio de freira vai reclamar de novo, como se as freiras também não fizessem cocô).

Mas por que comecei a falar disso? Ah, sim, porque só agora me toquei de que herói não perdeu o acento. Eu tava escrevendo heroi, mas é herói mesmo, embora super-heroico tenha perdido o acento (o hífen nem vou procurar saber se perdeu, já desisti de me preocupar com os hífens). Pelas novas regras só perdem as paroxítonas, mas as oxítonas ficam. Então continuam com acento herói e heróis, sóis, gói, papéis, anéis, etc. É, é isso mesmo, o livro e filme "O Senhor dos Anéis" fica como era antes dessa confusão começar.

De volta ao assunto principal, um lembrete aos que ficam pirateando coisas do meu site. Tenham a decência de citar a fonte, quando transcreverem pedaços inteiros e pelo menos avisem, tá? Outro dia dei um xilique porque um certo site de quadrinhos se apropriou do post anterior da Darna. Até citaram a fonte, mas não avisaram e o cara que fez isso ainda assinou em co-autoria. Colocou "de um texto de Otacílio d'Assunção no Blog do Ota, revisado por Fulano". Ora, o que o Fulano fez foi simplesmente eliminar certos trechos que continham divagações como essa do cocô e o resto; informações sobre a Darna, copiou literalmente. Aí assinou como revisor. Imaginem a minha surpresa quando eu, que continuo pesquisando exaustivamente sobre os quadrinhos filipinos, dou a enésima pesquisa dobre Darna e vejo "oba, um novo texto em português sobre ela". Aí vou lendo e percebendo "ei essas palavras são minhas". Chego ao fim e vejo que até sou creditado, mas arrumei um co-autor (ou coautor, sei lá) para o texto. É mole?

Bom, dei uma grita e tiraram rapidinho do ar, mas a grita não era pra tirarem as informações, e sim o crédito indevido do "revisor". Bastava terem escrto: "fonte: blog do ota" e o link. Nem é que eu queira aparecer, mas é bom saber de onde vêm as fontes.

Enfim, não me importo se usem as informações que posto aqui, até porque elas fazem parte do patrimônio cultural da humanidade e são pesquisadas em outros lugares. Mas eu cito as fontes, como fiz com o video48 e o Unang Labas. Sei que o conceito de direito autoral está mudando, mas os autores continuam tendo o direito de continuarem sendo creditados.

Esqueci de botar da outra vez, esta é a Darna moderna---->
dos quadrinhos. Não pedi permissão a inguém para piratear ela, mas acho que se encaixa nas normas do "fair use".

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Ter 11/05/10
VAI-SE UM MESTRE

Eu pretendia falar mais sobre os quadrinhos filipinos, que viraram minha tara do momento, mas vou fazer uma breve pausa para uma notícia fúnebre, se é que vocês não sabem ainda...

Morreu ontem um dos grandes dos quadrinhos: Frank Frazetta.---->
Mais conhecido recentemente por suas belas ilustrações épicas, Frank trabalhou muito tempo com quadrinhos até virar o capista mais requisitado pelas editoras de livros, produtoras de cinema etc.

Bom, quem resolveu tirar o dia de luto pra homenagear o mestre a pedida é ir neste site que encontra coisas de dar águas nos olhos. Tem tanto as capas de
<-----Buck Rogers como a série completa das aventuras do
White Indian.---->
Essa série saiu no Brasil nos anos 50 numa revista da Ebal que já esqueci qual era, como Daniel Brand e Condor Altivo. E se não falha a memória saiu também em outra editora, como Índio Branco mesmo.
São uma parcela ínfima de uma extensa obra, ele trabalhou até como asisstente do Al Capp e Harvey Kurtzman.

Esse goldenagecomicbookstories.blogspot.com/ é um achado. Dá pra perder dias nele.

Por hoje é só, estou nos preparativos pro aniversário da Darna que vai ser depois de amanhã, dia 13 de maio ela completa 60 anos de existência.

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Ter 04/05/10
NUNCA HOUVE UMA MULHER COMO DARNA

Se o Sílvio Santos não estivesse caduco, ele bem que poderia comprar o passe da Darna pra passar no SBT. Ia levar o canal de volta ao segundo lugar de novo, ou quem sabe, até o primeiro. Seria audiência garantida. A estonteante Darna------------>
é simplesmente sensacional. Minha nova musa, me apaixonei por ela. Enfim um motivo para gostar de super-heróis de novo.

E ela tá fazendo 60 anos este mês, mas olha que corpinho! Infelizmente, ninguém aqui no Brasil sabe quem é ela. Afinal, o que é Darna? Heroína japonesa ou mexicana? Não. Darna simplesmente é o maior fenômeno pop das Filipinas, o país com a melhor produção cultural do mundo. À primeira vista parece um clone da Mulher Maravilha, mas é muito mais do que isso.

A saga da Darna começou no dia 13/05/1950, quando os leitores do gibi
<---Pilipino Komiks viram surgir essa "nova" super-heroína em suas páginas. Na verdade era um remake de outra personagem chamada Varga, lançada em 1947 numa outra revista filipina, a Bulaklak Magazine. Só que seu autor, Mars Ravelo, brigou com a direção da revista e pediu as contas. Havia um pequeno problema: a marca Varga pertencia à revista, e ele não podia levar a personagem junto. O que fez ele? Simplesmente mudou o nome e mudou umas coisinhas. E teve a felicidade de chamar o Nestor Redondo para desenhar a série. Foi um sucesso instantâneo e ela nunca mais se separou do povo filipino, que jurou proteger.
E o povo filipino também nunca mais se separou dela. Daquele dia em diante Darna se tornou a musa nacional. Pode-se dizer que virou a personagem mais famosa dos komiks filipinos.


O alter-ego de Darna continuava sendo Narda, uma menininha, mas houve algumas modificações. Na verdade em suas sucessivas encarnações Darna mudou um bocado.
Mas a nova versão era bem similar à anterior. Narda--->
era uma garota filipina pobre órfã que vivia com seu irmãozinho Ding e a avó. Um dia ela está passeando pelo mato e por acaso encontra um meteorito que caiu do céu. Ela engole a pedra e ganha poderes, transformando-se numa super-heroína gostosona do Planeta Marte. Simples, não?

Como eu disse, o povo adorou e Darna virou a estrela da Filipino Komiks, passando a sair regularmente em episódios de 4 ou 5 páginas e presença constante nas capas de revista. Isso impulsionou as vendas da Pilipino Komiks e a carreira do Nestor Redondo, que estava começando. Nestor é um daqueles artistas filipinos que junto com Alfredo Alcala, Alex Nino etc foram importados pela DC Comics no início dos anos 70. Ele não foi o único desenhista de Darna, que teve sucessivas encarnações, mas foi o melhor de todos.

Os filipinos, além de uma indústria própria de komiks, tinham também uma sólida produção cinematográfica, e costumavam adaptar as séries de quadrinhos mais populares para filmes.
Assim, no ano seguinte, 1951, surgiu nas telas filipinas
<---Darna at ang Babang Lawin que foi um fenômeno de bilheteria e fez a Darna decolar de vez. De lá para cá houve mais um monte de filmes e séries de TV e os quadrinhos, hã, komiks, sempre saíram paralelamente. Esta é a Darna dos tempos atuais.

Algumas coisas foram mudando a partir das encarnações seguintes. Narda não era mais uma menina de sete anos, e sim uma linda mulher de uns 18 ou 19. Mas os conceitos básicos e a mitologia permaneciam, inclusive a vilã Valentina,--->
a rainha das cobras, uma gostosa com cabelos à la Medusa. Outras ameaças e vilões foram surgindo para enriquecer o universo Darna. Até mesmo umas mulheres-árvore e a Black Darna, que era uma Darna do mal.


Clone da Mulher-Maravilha? Nem tanto. A roupa é meio parecida, exibindo generosamente as deliciosas formas da heroína, tem até bracelete e tudo (que ela usa pra rebater as balas) mas tem elementos e poderes mais para Superman (poder de voar, invulnerabilidade) e o esquema do Capitão Marvel gritar Shazam (pra virar Darna, a Narda tem que gritar Darna e pra voltar a ser gente comum ela tem que gritar Narda).

No cinema e TV, diversas atrizes interpretaram Darna nestes 50 anos. A mais nova Darna é Marian Rivera, essa gracinha ao lado.---->
O programa continua sendo líder de audiência. Dá pra ver alguns deles, ou pedaços, no Youtube. Embora sejam falados em filipino dá pra entender tudo e em alguns casos colocaram umas legendas em inglês.

Os episódios lembram um pouco o esquema do Power Rangers, monstros ridúculos etc mas desse tipo de produção trash Darna tem um quê de especial. Os efeitos especiais são meia-boca, afinal a verba na TV filipina não é a mesma da tv americana ou da Globo, mas quem se importa com isso? Vai chegar um dia que, como aconteceu com o Power Rangers, um produtor como o Sabam vai comprar os direitos e refilmar a Darna e sua turma com atores americanos, inserir um núcleo teen multiracial como manda o figurino e até disfarçar um pouco o uniforme pra DC não vir em cima por plágio. Mas se isso acontecer eu ainda preferirei a versão filipina tosca.

I love Darna. E tudo isso existe graças ao
<----Mars Ravelo! Este é sem dúvida um dos autores filipinos mais importantes, embora seja um ilustre desconhecido por aqui, já que não foi importado pela DC Comics em 1970 como o Alfredo Alcala e o Nestor Redondo. Além da Darna Ravelo criou um monte de outros personagens que fizeram sucesso, como a sereia Dyesebel, Capitão Barbell, Flash Bomba e muitos mais. Ele conseguiu sintetizar a fórmula que agrada ao público muito bem, dando esperança ao povo filipino. Narda era uma pequena órfã que ganha superpoderes e fica gostosa. Capitão Barbell era um fracote que vivia apanhando dos valentões até que arruma um jeito de se transformarnum super-herói parrudo. Flash Bomba não tinha direito o uso das pernas mas passou a desenvolver o uso das mãos. A sereia era filha de humanos, mas quando tava grávida a mãe ficou olhando muito pra umas imagens de sereias e ela nasceu assim. O pai fica puto de ter uma filha com deformidade, quer se livrar dela mas o casal acaba criando a filha em segredo e depois ela encontra seus pares... e vai por aí afora. Mars Revelo é um gênio. Ele morreu em 1988 mas seu nome continua vivo na mente do povo filipino. A abertura da Darna diz: "Mars Revelo's Darna" e os herdeiros dele vivem até hoje de direitos autorais!

Para ver os episódios, só persquisar Darna no Youtube.
Em tempo: a maioria das informações foi tirada deste blog aqui!------->
O video48.blogspot.com é o melhor blog sobre cultura pop filipina. Inclusive tem as primeiras histórias da Darna original escaneadas e os anúncios dos filmes clássicos, não só os da Darna como todos os outros komiks filipinos que viraram filmes. Dá um pouco de trabalho baixar tudo, mas é diversão garantida. O blog é escrito em inglês mas os quadrinhos estão em tagalog, o idioma filipino. Mas que importa isso? Dá pra entender tudo.

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Ter 20/04/10
FIGURINHAS

E pronto, a febre das figurinhas tomou conta do país. Ontem numa importante reunião da sociedade dos ilustradores, em vez de se discutir assuntos importantes da classe, o pessoal estava trocando figurinhas desse álbum da Copa do Mundo--->
que acaba de ser lançado e já provoca crise de desabastecimento, porque a quantidade que chega nas bancas não está dando pra atender à demanda. Detalhe, não eram crianças trocando figurinhas, era um bando de marmanjos, alguns na casa dos 40, todos com seus álbuns na mão. E tinha um cara que nem era da associação mas se infiltrou na mesa que aproveitava a desculpa das figurinhas pra ficar dando em cima de uma gata que estava na reunião, filha de um respeitável ilustrador. Tem pai que é cego. Se eu tivesse uma filha bonita não ia deixar ela ficar trocando figurinhas com qualquer um.

Crianças caírem nesse conto do vigário ainda se entende, mas adultos?!! Vamos às contas. Se alguém conseguir o milagre de comprar um monte de pacotinhos sem nenhuma repetida, para completar o álbum gasta cerca de 100 reais. Mas é claro que isso não acontece. O normal é a vítima acabar fazendo um segundo álbum pra colar as duplicatas e morre pelo menos em 200, mesmo arrumando um amiguinho pra trocar. Imaginem o rombo que isso dá numa família de classe média, com vários filhos.

Agora, analisem o álbum. Vocês acham que esse álbum cheio vale 100 reais? Qual o custo de impressão disso? Pensem que com 100 reais dá pra comprar até um livro de arte. "Alguém" está ganhando MUITO dinheiro em cima disso.

Figurinhas existem mais ou menos há tanto tempo como as HQs e cinema. Datam de fins do século 19 ou início do 20, de acordo com o país. E nem sempre foram do jeito que são aqui.
As primeiras eram cards, vinham de brinde com alguns produtos como balas. Nos EUA ao que parece começaram com cards com jogadores de baseball.
<-----Achei um de 1869. Nesse país tradicionalmente os cards vinham acompanhando chicletes e coisas parecidas. As crianças se empanturravam dessas coisas que davam dor de barriga e trabalho garantido aos dentistas, e faziam suas coleções. Hoje esses cards raros valem milhões.

Depois pararam de fazer só cards de esportes e começaram a bolar cards com outras coisas. Aquele filme do Tim Burton, Marte Ataca-->
era originalmente uma coleção de cards. Mas na época (início dos anos 60) alguns pais e professores acharam os marcianos com cara de tarados, porque tinha umas mulheres gostosas nos cards, e reclamaram com o Ministério Público de lá e eles foram proibidos. Mas viraram cult, depois foram relançados em tempos mais permissivos e até criaram uns novos, como um que os Marcianos invadem o vestiário feminino.

No Brasil a onda começou mais ou menos do mesmo jeito, cards vinham de brindes com outras coisas, por exemplo marços de cigarros e até sabonetes, como as famosas Estampas Eucalol----->
que duraram exatos trinta anos (1925-1965). E balas também, como o álbum de 1934 A Holandeza (assim mesmo, com Z, brindes das balas do mesmo nome), e mais tarde o das Balas Ruth (início dos anos 50). Mais serviço garantido para os dentistas!

E pelo menos as crianças se animavam a tomar banho. Eucalol era campeão de vendas, acho que a fábrica faliu porque desistiram das estampas. eu mesmo parei de comprar sabonete e tomar banho quando elas acabaram.



O primeiro álbum com figurinhas vendidas em pacotinhos foi o da
<-----Branca de Neve, que a Editora Vecchi lançou em 1949, usando os cromos do filme recém-relançado de Walt Disney. A Vecchi, líder no segmento fotonovelas, era também líder no mercado de figurinhas por um bom tempo. Além de muitos filmes de Disney, lançou álbuns memoráveis, como os Ídolos da Tela e outros mais. Os Vecchi aumentaram consideravelmente sua fortuna graças a essa indústria.

Foi mais ou menos nessa época que começou a roubalheira. A Vecchi até que era uma editora honesta de figurinhas, mas outras que aproveitaram o filão começaram a apelar, lançando as chamadas "figurinhas difíceis", isto é, algumas figurinhas eram impressas em quantidades menores que as outras. Com isso todo mundo tinha as mesmas duplicatas e os trou... digo, crianças tinham que comprar milhões de pacotinhos a mais. Até que alguém deu um basta nisso, denunciando no Ministério Público, e foi um deus nos acuda entre os fabricantes de figurinhas, alguns quase chegaram a ir para a cadeia. Finalmente estabeleceram leis que obrigavam as editoras a imprimir quantidades rigorosamente iguais de todas as figurinhas.

Mas é claro que sempre davam um jeito de burlar um pouco isso. O truque usado até hoje pelas editoras é imprimir em quantidades iguais, mas não distribuir em quantidades exatamente iguais ao mesmo tempo. Qualquer pessoa que coleciona figurinhas sabe que as figurinhas que começam a aparecer mais repetidas quando o álbum é lançado ficam mais raras no fim, e as mais raras no início aparecem aos montes no fim.

E teve aquela história das figurinhas pornográficas do álbum do E.T.--->
em 1982 ou 83. As figurinhas eram impressas na Vecchi, que já estava falindo mas ainda fazia serviços gráficos pra fora. Só que os salários estavam atrasados. De sacanagem, alguns gráficos meteram folhas impressas de revistas de mulépelada no meio das folhas de figurinhas, as folhas foram cortadas e mandadas pros presidiários empacotarem (sim, naquela época o trabalho de empacotamento era manual, feito aproveitando mão de obra barata de presidiários). Ninguém percebeu a sabotagem. Até que alguns criancas compraram pacotinhos do E.T. nas bancas e começaram a encontrar umas xoxotas no meio dos ETs, a Rio Gráfica ganhou o apelido de Rio Porno-gráfica! Mais uma vez o Ministério Público foi acionado e a Rio Gráfica teve que se explicar mas acabou tudo em pizza... exceto pra mim.

Na época eu já tinha sido despedido da Vecchi e trabalhava como colaborador tanto da Rio Gráfica como do Pasquim, e fiz uma história do Vavá o Ceguinho onde ele era presidiário empacotador de figurinhas e empactou por engano umas pirocas no meio dos pacotinhos. Acontece que um diretor da Rio Gráfica leu esse Pasquim e não gostou nada da brincadeira e mandou me expulsarem do quadro de colaboradores. Felizmente esse mesmo diretor aprontou alguma e foi expulso da Rio Gráfica alguns meses depois, e graças a isso fui des-expulso e pude voltar a escrever os roteiros do Recruta Zero que fazia pra lá.

Mas, voltando ao assunto original, o álbum da Copa do Mundo. Fiquei com vontade de acionar o Ministério Público, mas não por estarem explorando os pobres trouxas que gastam em média 200 reais cada um, mas porque o dito álbum não tem quase nenhuma palavra em português. Na capa tem escrito "livro ilustrado" (porque é obrigatório) e o preço está em português. E a terceira capa, que ensina os trou... digo, colecionadores, a pedirem à editora as figurinhas que faltam, está toda em português. Mas essa página que dá a chance de comprar as que faltam também é obrigatória. Ou seja, se não fossem as coisas obrigatórias o álbum seria todo em inglês. Ora, onde já se viu isso? Estamos no Brasil e aqui a gente fala português. Aí vão dizer "é mas acontece que esse é um lançamento mundial, todos os países estão publicando igual... duvideodó. Na França pelo menos a sucursal da Panini, se é que existe por lá, estaria toda na cadeia, pois é proibido escrever em outras línguas que não em francês. Hot dog lá deve ser "chien chaud" ou algo assim. Franceses são francófonos e francófilos. Lá um atentado à língua pátria dessa monta nunca ficaria impune.

Já aqui é bagunça, ninguém liga pra isso. Nada me irrita mais que aqueles anúncios do Polishop vendendo produtos como o "perfect peeler". Ora, por que não traduzem o nome dos produtos? Tá certo que é legal saber outras línguas, mas estão nos obrigando a falar inglês à força.



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Seg 19/04/10
CONDOR FILMES

De vez em quando esse assunto vem à tona, hoje na lista do RetroTV alguém perguntou se no Youtube ou algo que valha tem aquela vinheta de abertura da Condor Filmes, alguém lembra disso?

Condor era uma rede de cinemas daqui do Rio, mas também era uma distribuidora de filmes, a maioria filmes B vagabundos de bang-bang, Hércules, Maciste, Kung Fu, pornochanchadas e também ótimos filmes eruopeus de arte que não eram encampados por nenhuma distribuidora americana. Se não me engano Tess de Polasnki era da Condor. Quem ia muito ao cinema nos anos 60 e 70 se deparava com essa vinheta onde um condor voava pela tela e desenhava a palavra "apresenta", nesse meio tempo as letras de Condor Filmes apareciam gigantes. E a plateia em uníssono tentava espantar o bichinho. "Shhh! "Shhh" ou "Xô! Xô!", o condor obedecia e saía voando e sumia no horizonte e em seguida a galera batia palmas e caía na gargalhada. Era um ritual que se repetia sessão após sessão.

E tem aquela piada do cara que chegou no cinema, sentou, viu o condor da Condor e levantou dizendo "ah esse filme eu já vi" e foi embora (essa também valia pro Leão da Metro). Alguns até dizem que, na época da ditadura, a única vez em que o povo podia se manisfestar livremente era enxotando o condor.

Bom, o que eu sei foi que o Condor parece ter sido enxotado de vez, porque nenhum filme mais traz essa marca. A Condor e outras distribuidoras independentes como a Art Filmes sumiram do mapa mais ou menos ao mesmo tempo que os cinemas de rua cederam lugar aos de shoppings e toda produção, qualquer que seja, pertence a algum dos gigantes do mercado ou aquela motion pictures nao sei que que engloba todos.

A dura realidade é que o Condor sucumbiu à globalização. Mas, segundo a Telelistas, a empresa ainda existe e no mesmo endereço. O que será que estão fazendo agora? viraram distribuidora de DVDs? Taí uma boa pauta pra esses segundos cadernos e colunas de abobrinhas apurarem.



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Qua 14/04/10
NOVIDADES

E lembrem-se, vocês leram no Blog do Ota antes. Fiquem de olho nesses lançamentos, acho que vão gostar. Por acaso trabalhei em todos eles, o bom é que as editoras só me dão coisas legais para fazer, por isso sou como os ginecologistas: trabalho onde os outros se divertem, ou melhor, trabalho me divertindo.

No mês de maio quem for nas livrarias vai ter várias coisas legais, a Galera (selo infanto-juveni da Record) está intensificando os seus lançamentos de quadrinhos e só tá pegando coisa boa.

Mas primeiro vamos falar de literatura, mais especificamente infanto-juvenil. Mistérios da XV de Novembro é um livro de Marcio Poletto.
Só pela linda capa e ilustrações do Daniel Bueno------------>
já vale a pena comprar, mas o livro é melhor ainda. É desses que a gente pega e não consegue parar de ler. E envolve viagens por universos paralelos!!!

Caio e Ju, um casal de adolescentes fica sabendo que existe uma outra São Paulo, numa dimensão paralela à nossa. Lá não tem mendigos, é tudo bonito, os prédios são lindos, programação cultural de primeira, um paraíso. Pra entrar lá tem que dissolver em água salgada uns cristais mágicos (extraídos de umas cavernas nos Andes) que transportam a gente pra esse outro mundo. Eles ficam sabendo através do tio do Caio, que décadas atrás tinha passagem livre para esses universos, pois comprava os cristais com o Valdez, um peruano que tinha uma loja de produtos fotográficos que servia de fachada pra esse tráfico interdimensional de cristais. Vai daí que dão um jeito de tomar os cristais e vão parar nesse mundo paralelo onde era tudo limpinho. Mas... a limpeza esconde outras coisas, mas isso vocês têm que ler o livro pra saber, não vou soltar todos os spoilers.

A primeira parte do livro mostra o casalzinho decifrando um monte de pistas e mensagens cifradas pra entender como funciona o mecanismo da coisa, como é que faz pra usar os cristais pra ir parar na São Paulo Limpinha. Na segunda parte, é a operação de resgate, pois a Ju fica presa do outro lado e o Caio tem que ir atrás dela pra salvá-la. E haja gangues de motoqueiros e outros perigos que prendem a atenção até o fim. Mas o melhor personagem é o próprio Valdez, que ainda por cima é um xamã peruano, procurado por uma espécie de Interpol do outro lado, que não quer que o pessoal daqui fique invadindo lá.

Anotem o que estou falando, esse livro vai virar best-seller, porque tem tudo que os adolescentes gostam. E tem história pra virar um blockbuster de Hollywood, melhor do que muita coisa que passa na Tela Quente. Estou curioso pra saber quem vão contratar pra fazer o papel do Valdez. Na verdade esse universo construído pelo Marcio Poletto----->
dá pra fazer uma mega-série, até mesmo histórias retroativas como "The Valdez Chronicles" ou algo assim. É claro que quando Hollywood comprar vai mudar a ação para Nova York e trocar os nomes dos meninos para nomes americanos, mas espero que mantenham o Valdez. O Valdez é legal porque como é um cara procurado pela puliça interdimensional, então ele muda de cara o tempo todo, às vezes parece peruano, às vezes alemão, até mesmo chinês. Acho que vão ter que arrumar vários atores pra fazer o papel dele, desde o Antonio Banderas ao Gordon Liu (aquele samurai véio que ensinou a Uma Thurman a cortar o pescoço dos outros em Kill Bill; aliás, embora tenha o mesmo sobrenome, o Gordon não é pai da Lucy Liu, que também aparece nesse filme).

E como estou sabendo dessas coisas todas? Ah sim, porque entre as inúmeras coisas que faço está preparação de texto, se eu vivesse só como cartunista morreria de fome. Peguei esse frila em dezembro, tinha que arrumar um pouco a ortografia e outras coisas, tipo detectar alguns furos na trama e pedir pro autor resolver. Na verdade fui ghost-writer do epílogo. Quando li o livro falei pra Deborah (a editora da Prumo, que está lançando o livro): "hum esse livro é ótimo mas parece esses filmes que "faltam rolo" no final, eu acho que no final o tio do Caio podia..." (spoiler suprimido) e aí a Deborah falou: "ué então por que você não reescreve o fim?" e eu "eu, hem tá louca, mexer no texto dos outros?" e ela, "não, manda bala, a gente manda pro autor e ele aprova ou não, ele é gente boa". então eu "então tá" e escrevi uma lauda imitando o jeito dele escrever. Bom, acabou que ele gostou tanto que não só não mexeu numa linha domeu epílogo apócrifo como mandou por meu nome nos agradecimentos. Na verdade esse pequeno acréscimo não interfere nada nessa história, era só pra dar um final feliz romântico pro tio não ficar na mão, afinal todo mundo se arrumou no livro e só ele ficou de fora? Sou um sentimental, gosto de finais felizes para todos, pelo menos nas obras de ficção.

Os outros lançamentos da Galera são ótimos. Já falei uns meses atrás do 90 Livros Clássicos para Apressadinhos---->
do Henrik Lange, um sueco meio desconhecido por aqui. Ele já tá na área desde os anos 90 mas conseguiu fama mundial com essa série dos 90 qualquer coisa (ele já fez outro com 90 Filmes clássicos, que também vai ser publicado aqui). Espero que lancem os relatos sadomasoquistas dele em quadrinhos, esses devem ser ótimos.

Bom, no 90 Livros Clássicos ele simplesmente resume as maiores obras da literatura mundial em apenas três quadros, na verdade são quatro mas como o primeiro é só o título não conta. Imagine resumir um livro como Os Irmãos Karamazov em três quadros. Mas o Lange consegue.

<---Vejam no exemplo ao lado como ele interpretou a história do Drácula (clicando abre maior em outra janela).

Esta versão foi traduzida e letreirada por mim. Devo também fazer a mesma coisa com o 90 Filmes Clássicos.

O outro lançamento é a graphic novel do Príncipe da Pérsia-->
que foi publicada lá fora em 2008 mas lançada aqui agora para aproveitar a onda do filme da Disney que esta chegando. Quem não se lembra do joguinho clássico Príncipe da Pérsia? Eu jogava a versão mais antiga, adorava jogar o Príncipe nas adagas pontudas daquele labirinto e matar ele. O jogo teve muitas versões e é um clássico dos games. Jordan Mechner, o criador, fez fama e fortuna com ele. Agora se deu bem pra valer pois a Disney comprou os direitos pra fazer um blockbuster, estreia nos EUA em maio e junho aqui. Devem tá vendo que a franquia Piratas do Caribe já deu o que tinha que dar e estão querendo outra coisa no mesmo gênero pra faturar milhões de dólares. Não sei se vou ver o filme, vou esperar passar na Tela Quente daqui a uns três ou quatro anos. Atenção: com o filme vem uma outra graphic novel, produzida pelo McFarlaine (argh!) e sua equipe, essa provavelmente vai ser lançada pela Panini. Mas a boa é mesmo essa que a Galera Record tá lançando, é a graphic novel original supervisionada pelo próprio Mechner e escrita pelo A.B.Sina e ilustrada pelo casal LeUyan Pham e Alex Puvilland. O casal continua parceiro do Mechner, ele tá lançando agora nos EUA outra graphic novel tão boa quanto essa, mas passada na idade média na França. O tema é do tipo que o Dan Brown gosta, tem a ver com templários e sociedades secretas. Enfim, os desenhos são lindos. McFarlaine que se dane, viva o Casal Puvilland.

<----------------Clique na miniatura ao lado para ver esta página maior. Devia ser uma boa a vida na Pérsia naquele tempo, aqueles haréns todos, só tinham que se preocupar com umas invasõezinhas básicas dos mongóis onde morria todo mundo, mas o resto era só festa. Essa era a Pérsia uns 1000 anos antes do tempo da Marjane Satrapi, aquela do Persépolis de que falei umas semanas atrás, dando scroll deve ainda estar mais aí embaixo.

Este Príncipe da Pérsia a tradução já veio pronta, mas preparei as letras e o design da edição.



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Qua 14/04/10
ELLEN PAGE E OS PEDÓFILOS

Ei, não é por nada não, mas a Ellen Page----->
é uma gracinha.
Talvez ela seja mais conhecida do público nerd por ter interpretado a Kitty Pride no filme 3 dos X-Men (enfim um motivo decente pra ver essa bosta) e pelas pessoas normais por ter chegado quase lá em 2008 por sua interpretação em
<----Juno, mas perdeu o Oscar pra Marion Cotillard (Piaf). Nesse ela interpreta uma adolescente grávida. Aliás, por ser uma linda tampinha (1,55m de altura) a Ellen é ideal para fazer o papel de adolescentes, embora já tenha 23 anos.

Em Mouth to Mouth ela é Sherry, uma adolescente revoltada que segue o SPARK, um grupo meio radical, e como prova de iniciação tem que raspar a cabeça. Em Hard Candy---->
(que no Brasil recebeu o título de Meninamá pontocom) ela é uma adolescente que arma uma arapuca para um pedófilo, cata ele pela internet e marca um encontro com ele, mas aí dá um boa noite cinderela no cara, quando ele acorda tá amarrado e ela diz que vai cortar os bagos dele, tá se vingando em nome de uma amiga que foi vítima do mesmo pedófilo. Não sei se as pessoas torcem mais pro pedófilo se safar ou ela conseguir o intento, mas é arrepiante.

Infelizmente não tem fotos dela pelada na Internet, o que tem é fake ou links pra sites que quase destruíram meu computador.
O máximo que tem dela quase pelada são umas capturas de tela da cena de sexo do
<----Mouth to Mouth e do strip-tease de Hard Candy, mas não aparece nada. Rolam boatos que no próximo filme ela vai mostrar a perereca, vamos torcer pra que isso se realize.

Voltando aos pedófilos, eles continuam no noticiário. Esta semana foi preso aquele cara que arrastava os garotinhos e matava eles, foi preso porque resolveu ficar com o celular de uma das vítimas e acabou sendo rastreado. O curioso é que o cara já tinha sido preso por pedofilia, mas foi solto por "bom comportamento". Claro, na cadeia não tinha nenhum molequinho, ele não podia aprontar nenhuma. Fica a dúvida se o Serjão entreteu ele na cadeia, mas se não o fez acho que agora ele não escapa do Serjão.

Mas o pior mesmo são os escândalos da igreja católica, que não param de aparecer. Só agora que resolveram divulgar essa parada, algumas das antigas vítimas dos padres já estão chegando na terceira idade e só agora a igreja se preocupa com isso. E como sempre tentando dar um jeito de tirar o dela da reta. Alguns defendem a tese de que os padres agem assim por causa do celibato, que se sentem muito sozinhos então por isso ficam pegando os garotinhos que aparecem para se confessar.

Mas ontem o segundo-em-comando do Vaticano disse que não era nada disso, veio com uma história de pesquisas científicas comprovam que a pedofilia não está associada ao padre, e sim ao homossexualismo. Essa foi a coisa mais absurda que já ouvi. O que tem a ver o cu com as calças (e curtas, ainda por cima?)

Vamos cair na real, isso é conversa pra boi dormir, e não cola de jeito nenhum. Tem pedófilos hetero e homossexuais, está aí esse da Ellen Page que não nos deixa mentir. Não era padre, e sim fotógrafo, mas só pegava garotinhas. E era pedófilo do mesmo jeito. Agora o tal cardeal ou sei lá que cargo tem na igreja minimiza o problema, põe a culpa da pedofilia no homosssexualismo. Ora, nem todo pedófilo é homossexual nem todo homossexual é pedófilo. E nem todos os padres são pedófilos ou homossexuais. Se bem que só aparece caso de padre que comeu garotinho, mas o que mais tem por aí é padre que come mulheres, algumas são garotinhas e outras mais velhas, e acho que a maioria gosta, porque todas ficam na encolha e não denunciam os padres.

Aliás nunca tem denúncias de lesbianismo nos conventos, por que será? Acho que é o que mais rola por lá. Algumas freiras se divertem a valer com as noviças (e a maioria é dimenor) e fica por isso mesmo. Os escândalos são sempre em cima dos padres.

Realmente deviam dar um jeito de resolver esse problema, não aguento mais ouvir essas histórias. Não sei se fico mais enojado com as façanhas dos pedófilos ou com as desculpas esfarrapadas do alto comando da igreja, que sempre procura tapar o sol com a peneira. Descobre que o padre é pedófilo, expulsa e prende ele, e pronto. O problema acaba e o Serjão tem diversão garantida na cadeia, afinal comer padre pedófilo não deve ser pecado. Pecado é o Papa fingir que não acontece nada.

Acho que a solução definitiva para a pedofilia só virá no futuro, quando desenvolverem a holografia sólida, que nem naquele Holodeck do Star Trek Nova Geração em diante. O padre ou qualquer pedófilo fica com vontade de comer um garotinho ou garotinha, vai na holosuíte e carrega um programa de computador, que materializa um objeto sexual com o qual ele pode interagir à vontade, sem prejudicar ninguém de verdade. Aí ele sacia seus sórdidos instintos, quando acaba manda o computador encerrar o programa e pronto. E essa parada serve para resolver todos os tipos de tara, não precisa ser só pedófilo. Serve pra necrófilos, zoófilos e outros ófilos, o usuário materializa uma galinha, cabrita ou até o presunto de uma ninfetinha ou ninfetinho (ou velha, se preferir), ninguém sai machucado ou traumatizado de verdade, na verdade o programa poderia até carregar clones holográficos da Ellen Page, essa ia vender milhões e até eu ia querer experimentar.

Me lembrei da tira abaixo que fiz há algum tempo, mas essa eu fiz na época em que era apaixonado pela Uma Thurman e pela Brigitte Bardot:





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Dom 04/04/10
RAUNI KILDE

Recebi de algumas pessoas um e-mail assustador com a entrevista-bomba da "ex-ministra da saúde da Finlândia, Rauni Kilde", que está circulando no Youtube----->
aconselhando as pessoas a não tomarem a vacina da gripe Suína. Nesse ela revela uma conspiração em andamento para exterminar dois terços da população mundial... é muita coisa pra repetir aqui, mas em resumo ela diz que a gripe suína não é tão assustadora como parece e que a vacina seria uma tramóia para esterilizar gestantes e "eliminar a próxima geração", etc etc... teoria da conspiraçao pura.

Antes de mais nada, dona Rauni NUNCA foi ministra da saúde da Finlândia. Mas a biografia dela é bem confusa. Ela escreveu livros sobre ufologia e afirma que alienígenas já salvaram a vida dela três vezes; que celulares fritam os cérebros das pessoas; que chips têm sido implantados nos cérebros de bebês desde 1946 e que o governo americano americano transformou alguns em assassinos-zumbis... e vai por aí afora.

Ainda que algumas coisas que ela diz façam sentido, é essa a tática dos mentirosos. Amparar as mentiras com algumas verdades no meio, para dar credibildade a elas. De fato, celulares podem fritar os cérebros. "Então se isso é verdade, o resto também é."

Aliás sobre os celulares não sei se é verdade que fritam os cérebros, mas por via das dúvidas uso eles muito pouco. Já publicaram estudos científicos que eles não fazem mal, mas lembro que nos anos 50 saíram vários estudos científicos de que o fumo não fazia mal à saúde... os maiores interessados em divulgar que o fumo não faz mal à saúde são as fábricas de cigarros, e no caso dos celulares, os maiores interessados em provar que são inofensivos são as fábricas de celulares e as operadoras... enfim...

Bom, não posso acreditar em qualquer coisa que um amigo manda por e-mail ainda mais se esse nem se dá ao trabalho de checar a veracidade das coisas... uma simples pesquisa no Google mostra que a Dra. Rauni está no centro de várias polêmicas. Alguns afirmam que ela é louca de pedra. Realmente, alguém que escreve um artigo "Meus 100 encontros com alienígenas" tem que ser olhado com desconfiança. Vá lá ter tido um ou dois encontros, mas CEM? Só se ela trabalhasse naquela sede dos Homens de Preto.

Eu mesmo acho que nunca tive contatos com alienígenas. Se tive, eles apagaram minha memória. Mas mesmo que eu me lembrasse, não sairia por aí espalhando. Da mesma forma, se eu ficasse sabendo por um aviso divino que era a reencarnação de Jesus Cristo não ficaria por aí espalhando, como o Inri Cristo faz.

Seja lá como for eu não corro perigo, porque minha faixa etária simplesmente foi desprezada pelo pessoal da vacina. Pelo que entendi, não preciso tomar. Estou numa idade que nem sou muito novo nem muito velho, então não estou em nenhum grupo de risco. Chique, não? Ainda bem, pois detesto injeções.

Quanto a uma conspiração para exterminar dois terços da humanidade... bem, realmente o mundo ficaria melhor se uns dois terços sumissem de repente (de repente as pessoas mais inúteis da humanidade). Mas o próprio planeta já está se encarregando disso. Mas certamente os maiores interessados num extermínio da população não são as fábricas de celulares e operadoras. Eles querem é que tenha cada vez mais gente para comprá-los e consumi-los. E os governos, que interesse teriam em causar uma hecatombe? Ainda se fosse um plano para extemrinar apenas os mexicanos e demais imigrantes ilegais, faria mais sentido... mas por que o governo americano estaria interessado em extemrinar os americanos consumidores de bacon e McDonalds? Os próprios bacon e McDonalds já estão se encarregando disso.



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Daqui pra baixo alguns posts foram resumidos ou suprimidos pra não entupir muito a página inicial. Alguns assuntos meio que já prescreveram, deixo só as minhas tiras e algumas coisas interessantes que não perderam a validade. Mas os posts originais estão preservados. Clique em cima nos links dos BLOGS ANTIGOS pra ver tudo na íntegra.


Dom 14/3/10

Veja, ilustre passageiro,
o belo tipo faceiro
que o senhor tem a seu lado.
E, no entanto, acredite,
quase morreu de bronquite,
salvou-o o Rhum Chreosotado.


Isso era uma propaganda que aparecia nas paredes dos bondes, no rio de Janeiro, mais de 50 anos atrás. Não me recordo direito, mas parece que essa rima é de autoria de um cartunista da época. O Rum Creosotado era um remédio para asma, bronquite, gripe etc. Uma espécie de "xapope mágico" que resolvia tudo. Naquela época os remédios eram feitos com plantas e coisas extraídas da natureza, não essas químicas malucas de hoje que ninguém sabe de onde surgiram. O Rum Creosotado não dava onda como o Daime, mas deixava os tipos mais faceiros.



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Sab 13/03/10
UMA MORTE E UMA RESSURREIÇÃO

Antes de entrar no assunto principal, uma boa notícia. O SITE DA CUTERAIN---->
VOLTOU!!!!!!!!!!
Agora, em vez de cair no tal portal de festa rave e música eletrônica, entrando em CUTERAIN.COM aparecem de novo as fotos dela. Alguns dias atrás ela entrou no Twitter, de onde estava sumida desde novembro, e disse algo como que o site tava voltando, passando por uma transferência de servidor ou algo assim, e que além dela e das amigas de sempre iam aparecer ainda mais "chicas". QUE VENGAM MÁS CHICAS!

Seria o caso de uma comemoração "especial", mas o clima não tá pra comemorações e sim pra velório. As bad news todo mundo já sabe, a não que tenha ficado sem internet desde ontem, não tenha lido jornal ou ligado televisão. Morreu um amigo muito querido de todos nós cartunistas e do povo em geral, e uma das pessoas mais engraçadas que já conheci. Pessoalmente ele chegava a ser mais divertido ainda que sua obra, por incrível que pareça. Ele estava recluso nos últimos anos e nem o Angeli e o Laerte tinham muito contato com ele, mas produzia suas charges e tiras até anteontem. Mais um que se vai, e de maneira nada agradável, se é que a morte pode ser agradável de algum jeito, mas algumas são muito mais desagradáveis que outras.

GLAUCO (1957-2010)

Como todos, estou chocado com a morte trágica do Glauco.---->
Não tenho clima para fazer homenagem, nem repetir o que os outros estão fazendo: lamentos, enaltecer a sua obra etc. Apenas dizer que descanse em paz. Ainda estou absorvendo o noticiário e pensando nos desdobramentos que isso pode vir a ter. Aliás é sobre isso que vou falar.

Obs: os demais posts sobre a morte do Glauco podem ser encontrados nos arquivos de março 2010.


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Qui 18/02/10
APERTEM OS PINTOS! A MUSA SUMIU!

UAAI! Ontem de noite resolvi dar uma espiada pra ver se tinha alguma novidade no site da Cuterain---->
e o site não tava mais lá!!!!!!!!!!!!!!!!! E essa agora.

Quem acompanha meu Blog deve saber que em junho/julho eu estava totalmente de quatro por essa linda argentina que montou seu próprio site de mulépelada. Montei até um festival no OtaTube. Achava a mulher mais linda do mundo, e ainda deve ser, mas sabe-se lá onde ela se enfiou. Façam a experiência: cliquem em www.cuterain.com e vejam o que acontece. Vocês serão redirecionados para um site de música eletrônica. Mistéééério.

Eu já tinha reparado que o site da Cuterain estava meio devagar, porque entrava lá de vez em quando e não via amostras grátis de ensaios novos, eram sempre as mesmas. Mas os site continuava lá. Por isso deixei de frequentá-lo com assiduidade. Mas ontem fui matar as saudades e me dei de cara com esse redirecionamento maluco. Não acredito que a explicação seja essa dela ter casado com algum milionário ou mafioso ciumento, porque os outros sites da turma dela também sumiram. Só se foi algum xeque árabe que arrematou todas de uma vez e as levou pro seu harém. Seja lá como for é muito estranho. Que houve alguma coisa, houve.

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Seg 15/02/10
PERSEPOLIS

Que os xiitas marjânicos me perdoem, mas o filme
<----Persepolis é melhor que a HQ original, se é que isso é possível. Mas, também, foi co-dirigido pela própria autora do gibi, a estonteante
Marjane Satrapi.----->
Ela precisou suprimir umas partes porque senão nem em dois filmes cabia. Deu uma limpadinha básica no traço, agora menos xilogravura e mais clean, e ficou perfeito. Não que a HQ não fosse, mas do jeito que fizeram ficou bem ajustado à nova mídia.

No meio dessa decadência toda dos quadrinhos do mainstream, surge pelo menos uma coisa boa a cada década. Assim, nos anos 80 tivemos Love and Rockets, nos anos 90 tivemos Bone e na década de 2000 o troféu sem dúvida vai para Persepolis.

A Pérsia já foi bem melhor em tempos idos. Na época das 1001 Noites era um reino glorioso, digna de muitas histórias antológicas e príncipes que até viraram jogos. Mas nos últimos séculos não tem sido um bom lugar para viver, principalmente depois que passou a ser chamada oficialmente de Irã. Quando eu era criança não entendia por que o Chá da China se escrevia com CH e o Xá da Pérsia com X. Achava que xá era uma coisa de beber, até que me dei conta de que era um governante.

Era a época do Xá Reza Pahlavi e da gatíssima imperatriz Farah Diba.------>
Mas o filme deles ficou queimado e em 1979 uma revolução os tirou do poder.
Ok, o Xá não era muito flor que se cheirasse. Era manipulado pelos EUA e Inglaterra, torturava dissidentes políticos e o povão passava fome, corrupção rolava solta. Então resolveram dar um fora nele. Mas a emenda saiu pior que o soneto.

Agora o manda-chuva era o maior líder religioso do país, o Aiatolá Komehini, que tratou de fazer voltar a moral e os bons costumes islâmicos. Mulheres foram obrigadas a usar véu de novo, casais apaixonados não podiam andar de mãos dadas pela rua. Música ocidental, nem pensar. Só no mercado negro. Pra comprar uma fita de alguma banda de rock era mais complicado que aqui no Brasil alguém subir no morro pra comprar maconha, cocaína ou crack. E, pra piorar, a malfadada Guerra do Golfo e a guerra Irã-Iraque não deixavam a população em paz.


Foi nesse contexto que a pequena Marjane Satrapi cresceu. Filha de uma família classe média liberal, que era contra o regime do Xá, de início ela e os parentes exultaram quando o Xá foi expulso. Depois viram que a cana era dura. Bebidas, minissaias, tudo foi proibido. Sexo fora do casamento, nem pensar. Marjane não pensava em sexo naquela época, mas viu que a coisa era feia. Pra aliviar, os pais a mandaram estudar fora, na Áustria. Lá ela conheceu uma turma maneira, mas a fome acabou apertando e ela voltou pra casa, onde começou a estudar Belas-Artes. Só que a cana estava mais dura ainda. Vendo que ela nunca daria certo por lá, a família mandou a Marjane pra França, onde ela começou uma brilhante carreira no mundo dos quadrinhos e foi feliz para sempre.

Sua autobiografia Persepolis virou um best-seller e ganhou até prêmio en Angoulême. Todo mundo queria ler aquela história do até então inexistente "quadrinho iraniano". Feito por uma mulher, ainda por cima, contando as coisas do ponto de vista feminino. Para nós do Ocidente ficou mais fácil entender como era a vida aquele país. Marjane não tem uma obra muito extensa, e esta se divide entre alguns livros para crianças e mais os poucos álbuns que fez depois de Persépolis. Em Broderies (Bordados) continua contando a vida das mulheres iranianas da sua família e volta a brilhar no Salão de Angouleme com Poulet aux Prunes (Frango com Ameixas),---->
desta vez contando a vida de seu tio, um músico iraniano dos anos 50. O título se refere ao prato predileto dele. Este, como Persepolis, também foi publicado no Brasil pela Cia. das Letras. Depois disso os quadrinhos pararam. Persepolis virou filme, dirigido por ela em parceria com Vincent Paronnaud. Ganhou o prêmio especial do júri em Cannes em 2007 e foi indicado ao Oscar, perdendo pra Ratatouille. Bom, o filme é lindo, maravilhoso, e está na grade do Cinemax Prime. Vai passar de novo quinta, 18/2, às 20:10. Não percam!

Marjane está preparando agora sua próxima animação, baseada no Frango com Ameixas. Que venham as ameixas! Espero que ela não pare de produzir quadrinhos.

E, enquanto isso, no Irã... a coisa continua feia como sempre. Desde 2005 está sob o comando de Mahmoud Ahmadinejad, aquele amiguinho do Lula que esteve aqui há pouco tempo. O mesmo escrotinho que disse que o Holocausto nunca existiu, que ganhou a reeleição na marra em 2009, na base da fraude. Dizem que ele teve só 12% dos votos. Não ganhou, mas levou assim mesmo. De nada adiantou toda aquela grita no Twitter e até nossa heroína Marjane (junto com outro cineasta iraniano, Mohsen Makhmalbaf) apareceu no Parlamento Francês pra dedurar a farsa, mas acabou tudo em pizza, ou em ameixas. Quem estiver interessado em ver uma versão "apócrifa" de Persepolis contando o que houve clique aqui pra baixar o pdf. Amigos de Marjane, com autorização dela, montaram uma HQ usando desenhos de Persepolis mas com o texto trocado, explicando o que aconteceu no Irã na eleição do ano passado.

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Sáb 06/02/10
CENOURAS

E essa agora, não é que a história da cenoura voltou à tona?

Já tinha até esquecido desse episódio. Mas esta semana os jornais e sites de fofocas começaram a dar a notícia de que, depois de tantos anos, Mário Gomes quer processar o Daniel Filho e a Globo por ter tido sua carreira prejudicada, por causa do boato que rolou em relação a suas preferências vegetais, digo, sexuais. Ele agora quer 40 milhões de indenização.

Bom, espero que o Mário Gomes ganhe o processo, assim ele terá uma velhice tranquila. Embora do jeito que as coisas se arrastam, é provável que os herdeiros dele é que vão usufruir do dinheiro, ou os do Daniel que tenham que pagar.

Quem quiser ver um vídeo muito divertido, assista este "Furico Li Furico Lá" aqui.----->


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Dom 17/01/10
É ISSO AÍ : MACACADA!

Dizem que o magnata da imprensa norte-americana, William Randolph Hearst, teria dito isso certa vez:

“Give me a magazine cover with a beautiful girl, a dog, or a baby on it, and I’ll give you a magazine that sells”
(me dê uma capa de revista com uma garota bonita, um cachorro ou um cão, e eu lhe darei uma revista que vende".

O finado National Lampon seguiu a dica na capa ao lado----->
em 1977. Não sei se essa edição vendeu bem, mas deve ter... National Lampoon estava no auge naquela época e era considerada a melhor revista de humor adulto. Dá pra vocês terem uma amostra neste sáite com todas as capas.

O que Hearst esqueceu de incluir na sua famosa frase foram os macacos. Macaco também ajudava a vender revista. Aliás o Lampoon certa vez publicou na capa uma Mona Lisa com cara de gorila (Mona Lisa também vende, mas este post é só sobre macacos).

A descoberta que macacos impulsionava as vendas foi feita por acaso, em 1951, quando o dono da DC Comics, Irwin Donenfeld, checou os dados e descobriu que a revista
<--- Strange Adventures no. 8 tinha vendido bem mais que o normal. O motivo só podia ser o gorila na capa. Chamou o editor Julius Schwartz e disse a ele que deveria repetir a experiência. Seguiu-se então um monte de capas com gorilas.

Ok, revistas de ficção-científica podiam criar molinho histórias com gorilas de outro planeta invadindo a Terra, mas havia muita apelação no meio dessa macacada toda. Qualquer pretexto pra enfiar um gorila numa história (e com isso fazer uma capa de gorila) era válido, e os macacos começaram a aparecer também nas revistas de super-heróis, guerra, faroeste e outros gêneros.
Teve até uma que o Jimmy Olsen (amiguinho do Superman) era forçado a se casar com uma macaca---->
-- pra vocês verem até onde os editores da DC eram capazes de ir.
Macaco vende, então pode tudo.

Surgiram então personagens-gorilas com o Grodd (um macaco-vilão que atormentava o The Flash) e até o Congo Bill (uma espécie de Jim das Selvas que a DC publicava de complemento em algumas revistas) virou Congorilla, quando salvou um feiticeiro africano que, agradecido, deu pra ele de presente um anel mágico. O anel permitia que o Congo Bill trocasse de corpo com o gorila, isto é, esfregava o anel e a mente dele ia pro cérebro do macaco, e vice-versa. Aí de posse do corpo do gorila ele resolvia o perigo da vez. Depois de uma hora o efeito passava e os cérebros eram destrocados. Claro que ele sempre tomava a providência de pedir ao seu amigo Janu que amarrasse bem o corpo de Congo Bill e deixasse numa caverna, para impedir que o cérebro do macaco aprontasse alguma estripulia com seu corpo humano.
Tipo, vai que o Congo Bill com cérebro de macaco ficasse andando solto por aí, visse alguma macaca e passasse a mão na bunda dela, ou mesmo resolvesse desafiar um tigre ou outro gorila pra sair na porrada com ele, certamente viraria picadinho. Era mais prudente ele ficar preso em segurança até a hora de voltar.

Dizem que saíram até agora mais de 500 gibis com macacos na capa. Claro, alguns desses eram do Tarzan, Planeta dos Macacos ou do Maguila Gorila, onde é mais que justo aparecerem gorilas, mas mesmo assim há uma quantidade absurda de revistas com "capas de gorila" e tem até mesmo um nicho próprio pra isso no mercado, os colecionadores de capas de gorilas. O curioso é que essa mania de botar gorilas nas capas era mais da DC que da Marvel. Bom, abaixo vão algumas capas de gorilas, pra quem quiser ver... clique nas miniaturas pra abrir a capa maior. Reparem que todas são capas da Strange Adventures, a revista que começou a moda, e provavelmente a que mais abusou dos gorilas.



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Ter 29/12/09
GREMLINS DAS CANETAS E GUARDA-CHUVAS
Sei não, mas acho que tem um desses gremlins que escondem canetas aqui em casa. Sempre que procuro uma não encontro, e por mais que eu continue comprando novas canetas elas simplesmente somem do mesmo jeito. Não sei quando começou essa praga mas faz décadas que não gasto a carga de uma esferográfica até o fim. Quando eu era criança eu via a carga ir desaparecendo aos poucos, e ainda usava aquele macete de pingar um pouco de álcool pra render mais um tiquinho. Agora as canetas que uso estão sempre com a carga cheia, porque logo somem.

Onde vão parar as canetas? Acho que no mesmo lugar que os guarda-chuvas, que são outra coisa que vive sumindo. Comigo isso não acontece porque não uso guarda-chuva, prefiro me molhar do que ficar carregando um pra depois perder por aí. Mas caneta não posso passar sem, embora como eu já disse elas sempre estejam sumindo.

Acho que os gremlins fazem parte dessa máfia de camelôs que vendem guarda-chuvas e canetas. Já reparei que os camelôs que vendem canetas são os mesmos que vendem guarda-chuvas quando começa a chover. Os gremlins se encarregam de conseguir o material. Como as canetas estão sempre com a carga cheia ninguém repara que elas não são novas. O mesmo se dá com os guarda-chuvas: na pressa de comprar um quando está chovendo, ninguém vai reparar se ele é novo ou não.

Já fez a experiência? Experimente passar pelas ruas do centro. Na mesma hora que começa a chover, surgem do nada dezenas de camelôs vendendo guarda-chuvas. Podem reparar que são exatamente os mesmos que estavam vendendo canetas momentos antes. Aliás, o lance das canetas é apenas uma fachada. Como todos sabem, vender canetas não dá muito lucro. Uma caneta custa de 60 centavos a um real. Ainda que elas saiam quase de graça para a quadrilha, é preciso vender muitas unidades num dia para faturar alguma coisa, fora que tem que reservar algum para caixinha da quadrilha. A verdadeira fonte de lucro são os guarda-chuvas. No desepero uma pessoa paga de 20 a 25 reais por um guarda-chuva. Façam as contas. Vendendo uns quarenta por chuva um camelô fatura mil reais. Nem em um mês vendendo canetas ele ganharia tanto.

Minhas investigações levaram também a outra descoberta: além dos gremlins e camelôs, os meteorologistas também fazem pare da mesma máfia. Observem que a previsão do tempo sempre erra. Isso é para as pessoas saírem de casa sem guarda-chuvas e serem obrigadas a comprá-los. Como todos sabem, os salários dos meteorologistas são muito baixos e eles entraram para o mundo do crime para conseguir uma graninha extra. Acredito que não sejam só esses os componentes da quadrilha. Os verdadeiros donos devem ser pessoas acima de qualquer suspeita, como prefeitos, governadores, deputados, senadores ou até ministros. Aí tem coisa.

Abaixo uma tira que fiz algum tempo atrás sobre canetas sumidas...



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Qui 10/12/09
OCTOBRIANA
E a picaretagem não é privilégio brasileiro. Lembrei agora que em 1971 apareceu um livro, Octobriana and the Russian Underground, escrito pelo tcheco Petr Sadecky, revelando ao mundo a existência de uma heroína underground russa, Octobriana, que teria sido criada em 1960 por um grupo de dissidentes soviéticos que se auto-entitulava PPP (Pornografia Política Progressiva). O nome aludiria ao “verdadeiro espírito da Revolução de Outubro”. Sadecky, ele mesmo um dissidente da União Soviética, fugiu para o Ocidente trazendo o material na mala.

Logo apareceu uma editora interessada em publicar e milhares de trouxas como eu compraram o álbum de luxo que mostrava como eram os quadrinhos clandestinos na famigerada União Soviética. Mas logo se descobriu que não passava de uma farsa. Sadecky era um picareta que convenceu dois artistas tchecos, Bohumil Konecny e Zdenek Burian, a produzirem a história alegando que já tinha um editor em vista. A personagem se chamaria então Amazona. Sadecky fugiu então para o ocidente com os originais e ganhou uma bela grana com o livro.

É claro que quando souberam da façanha do seu ex-amiguinho Konecny e Burian ficaram putos e chegaram a processar Sadecky num tribunal da Alemanha Ocidental. Ganharam mas não levaram, pois não conseguiram recuperar os direitos nem os originais. Como a personagem não tinha copyright, sendo portanto de domínio público, um monte de gente usou a Octobriana em outras histórias. Ela aparece em Luther Arkwright, de Brian Talbot, e diversos outros artistas também mamaram nas tetas dela.

Ah, sim e como gostaram, lá vai mais uma tira do Concursino:





Sab 28/11/09
DO FUNDO DA CANECA


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Sex 23/10/09
DO FUNDO DA CANECA
Mais duas tira velhas que eu fazia de encomenda para esses jornais de empresas. A de cima saiu tem uns dez anos, na revista Rosa dos Ventos, editada pela finada Varig. A essa altura não lembro se era distribuída aos passageiros ou aos funconários. Eu fazia uma tira na página de humor da revista. Já que o título desses posts de tiras véias é "do fundo da caneca", lembrei que a crônica que ocupava o resto da página era escrita pelo Jô Soares, que devia ganhar umas dez vezes mais do que eu.

Aliás como esses jornais internos tinham circulação restrita, eu não me importava muito de reciclar piadas velhas, com certeza o Jô também devia fazer isso. Uns dez anos antes a mesma tira foi feita para o jornal interno dos empregados do também finado Hotel Meridien! Vejam embaixo...

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Seg 5/10/09
DO FUNDO DA CANECA
Arrumando umas coisas encontrei esta tira que fiz em 1992. Lili a Assistente de Vendas era publicada na página de humor do Jornal do Guarda-Chuva, house-organ do finado Banco Nacional. Onde alguns anos antes eu já tinha feito outro personagem, Roberval o Contínuo. Somente os empregados do Banco Nacional recebiam esse jornal, por isso se você não trabalhava lá nessa época é pouco provável que tenha lido essa tira!
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