POSTADO EM 15/2/2010
BLOGS ANTiGOS:
2009:
NOV OUT
SET AGO JUL
ABR JAN
2008: NOV
SET JUL
ABR/JUN
JAN/MAR
2007: NOV OUT
SET AGO

Count
DESOCUPADOS
JÁ ENTRARAM
NESTE BLOG

mail
BLOGS AMiGOS
KEMPCARRANZAZé DO QUiABOCHiQUiNHAMARiANA MASSARANiBENETT
ALLAN SiEBERMALVADOSPRYSCiLA ViEiRA SOLDAHEMETERiORiCO
DEDO DE MOÇA
Twitter MEME

Seg 15/02/10
PERSEPOLIS

Que os xiitas marjânicos me perdoem, mas o filme
<----Persepolis é melhor que a HQ original, se é que isso é possível. Mas, também, foi co-dirigido pela própria autora do gibi, a estonteante
Marjane Satrapi.----->
Ela precisou suprimir umas partes porque senão nem em dois filmes cabia. Deu uma limpadinha básica no traço, agora menos xilogravura e mais clean, e ficou perfeito. Não que a HQ não fosse, mas do jeito que fizeram ficou bem ajustado à nova mídia.

No meio dessa decadência toda dos quadrinhos do mainstream, surge pelo menos uma coisa boa a cada década. Assim, nos anos 80 tivemos Love and Rockets, nos anos 90 tivemos Bone e na década de 2000 o troféu sem dúvida vai para Persepolis.

A Pérsia já foi bem melhor em tempos idos. Na época das 1001 Noites era um reino glorioso, digna de muitas histórias antológicas e príncipes que até viraram jogos. Mas nos últimos séculos não tem sido um bom lugar para viver, principalmente depois que passou a ser chamada oficialmente de Irã. Quando eu era criança não entendia por que o Chá da China se escrevia com CH e o Xá da Pérsia com X. Achava que xá era uma coisa de beber, até que me dei conta de que era um governante.

Era a época do Xá Reza Pahlavi e da gatíssima imperatriz Farah Diba.------>
Mas o filme deles ficou queimado e em 1979 uma revolução os tirou do poder.
Ok, o Xá não era muito flor que se cheirasse. Era manipulado pelos EUA e Inglaterra, torturava dissidentes políticos e o povão passava fome, corrupção rolava solta. Então resolveram dar um fora nele. Mas a emenda saiu pior que o soneto.

Agora o manda-chuva era o maior líder religioso do país, o Aiatolá Komehini, que tratou de fazer voltar a moral e os bons costumes islâmicos. Mulheres foram obrigadas a usar véu de novo, casais apaixonados não podiam andar de mãos dadas pela rua. Música ocidental, nem pensar. Só no mercado negro. Pra comprar uma fita de alguma banda de rock era mais complicado que aqui no Brasil alguém subir no morro pra comprar maconha, cocaína ou crack. E, pra piorar, a malfadada Guerra do Golfo e a guerra Irã-Iraque não deixavam a população em paz.


Foi nesse contexto que a pequena Marjane Satrapi cresceu. Filha de uma família classe média liberal, que era contra o regime do Xá, de início ela e os parentes exultaram quando o Xá foi expulso. Depois viram que a cana era dura. Bebidas, minissaias, tudo foi proibido. Sexo fora do casamento, nem pensar. Marjane não pensava em sexo naquela época, mas viu que a coisa era feia. Pra aliviar, os pais a mandaram estudar fora, na Áustria. Lá ela conheceu uma turma maneira, mas a fome acabou apertando e ela voltou pra casa, onde começou a estudar Belas-Artes. Só que a cana estava mais dura ainda. Vendo que ela nunca daria certo por lá, a família mandou a Marjane pra França, onde ela começou uma brilhante carreira no mundo dos quadrinhos e foi feliz para sempre.

Sua autobiografia Persepolis virou um best-seller e ganhou até prêmio en Angoulême. Todo mundo queria ler aquela história do até então inexistente "quadrinho iraniano". Feito por uma mulher, ainda por cima, contando as coisas do ponto de vista feminino. Para nós do Ocidente ficou mais fácil entender como era a vida aquele país. Marjane não tem uma obra muito extensa, e esta se divide entre alguns livros para crianças e mais os poucos álbuns que fez depois de Persépolis. Em Broderies (Bordados) continua contando a vida das mulheres iranianas da sua família e volta a brilhar no Salão de Angouleme com Poulet aux Prunes (Frango com Ameixas),---->
desta vez contando a vida de seu tio, um músico iraniano dos anos 50. O título se refere ao prato predileto dele. Este, como Persepolis, também foi publicado no Brasil pela Cia. das Letras. Depois disso os quadrinhos pararam. Persepolis virou filme, dirigido por ela em parceria com Vincent Paronnaud. Ganhou o prêmio especial do júri em Cannes em 2007 e foi indicado ao Oscar, perdendo pra Ratatouille. Bom, o filme é lindo, maravilhoso, e está na grade do Cinemax Prime. Vai passar de novo quinta, 18/2, às 20:10. Não percam!

Marjane está preparando agora sua próxima animação, baseada no Frango com Ameixas. Que venham as ameixas! Espero que ela não pare de produzir quadrinhos.

E, enquanto isso, no Irã... a coisa continua feia como sempre. Desde 2005 está sob o comando de Mahmoud Ahmadinejad, aquele amiguinho do Lula que esteve aqui há pouco tempo. O mesmo escrotinho que disse que o Holocausto nunca existiu, que ganhou a reeleição na marra em 2009, na base da fraude. Dizem que ele teve só 12% dos votos. Não ganhou, mas levou assim mesmo. De nada adiantou toda aquela grita no Twitter e até nossa heroína Marjane (junto com outro cineasta iraniano, Mohsen Makhmalbaf) apareceu no Parlamento Francês pra dedurar a farsa, mas acabou tudo em pizza, ou em ameixas. Quem estiver interessado em ver uma versão "apócrifa" de Persepolis contando o que houve clique aqui pra baixar o pdf. Amigos de Marjane, com autorização dela, montaram uma HQ usando desenhos de Persepolis mas com o texto trocado, explicando o que aconteceu no Irã na eleição do ano passado.



desocupados comentaram até agora * Link permanente para este post * SÁITE DO OTA