Seg 19/04/10
CONDOR FILMES
De vez em quando esse assunto vem à tona, hoje na lista do RetroTV alguém perguntou se no Youtube ou algo que valha tem aquela vinheta de abertura da Condor Filmes, alguém lembra disso?
Condor era uma rede de cinemas daqui do Rio, mas também era uma distribuidora de filmes, a maioria filmes B vagabundos de bang-bang, Hércules, Maciste, Kung Fu, pornochanchadas e também ótimos filmes eruopeus de arte que não eram encampados por nenhuma distribuidora americana. Se não me engano Tess de Polasnki era da Condor. Quem ia muito ao cinema nos anos 60 e 70 se deparava com essa vinheta onde um condor voava pela tela e desenhava a palavra "apresenta", nesse meio tempo as letras de Condor Filmes apareciam gigantes. E a plateia em uníssono tentava espantar o bichinho. "Shhh! "Shhh" ou "Xô! Xô!", o condor obedecia e saía voando e sumia no horizonte e em seguida a galera batia palmas e caía na gargalhada. Era um ritual que se repetia sessão após sessão.
E tem aquela piada do cara que chegou no cinema, sentou, viu o condor da Condor e levantou dizendo "ah esse filme eu já vi" e foi embora (essa também valia pro Leão da Metro). Alguns até dizem que, na época da ditadura, a única vez em que o povo podia se manisfestar livremente era enxotando o condor.
Bom, o que eu sei foi que o Condor parece ter sido enxotado de vez, porque nenhum filme mais traz essa marca. A Condor e outras distribuidoras independentes como a Art Filmes sumiram do mapa mais ou menos ao mesmo tempo que os cinemas de rua cederam lugar aos de shoppings e toda produção, qualquer que seja, pertence a algum dos gigantes do mercado ou aquela motion pictures nao sei que que engloba todos.
A dura realidade é que o Condor sucumbiu à globalização. Mas, segundo a Telelistas, a empresa ainda existe e no mesmo endereço. O que será que estão fazendo agora? viraram distribuidora de DVDs? Taí uma boa pauta pra esses segundos cadernos e colunas de abobrinhas apurarem.
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* SÁITE DO OTA
Qua 14/04/10
NOVIDADES
E lembrem-se, vocês leram no Blog do Ota antes. Fiquem de olho nesses lançamentos, acho que vão gostar. Por acaso trabalhei em todos eles, o bom é que as editoras só me dão coisas legais para fazer, por isso sou como os ginecologistas: trabalho onde os outros se divertem, ou melhor, trabalho me divertindo.
No mês de maio quem for nas livrarias vai ter várias coisas legais, a Galera (selo infanto-juveni da Record) está intensificando os seus lançamentos de quadrinhos e só tá pegando coisa boa.
Mas primeiro vamos falar de literatura, mais especificamente infanto-juvenil. Mistérios da XV de Novembro é um livro de Marcio Poletto. Só pela linda capa e ilustrações do Daniel Bueno------------> já vale a pena comprar, mas o livro é melhor ainda. É desses que a gente pega e não consegue parar de ler. E envolve viagens por universos paralelos!!!
Caio e Ju, um casal de adolescentes fica sabendo que existe uma outra São Paulo, numa dimensão paralela à nossa. Lá não tem mendigos, é tudo bonito, os prédios são lindos, programação cultural de primeira, um paraíso. Pra entrar lá tem que dissolver em água salgada uns cristais mágicos (extraídos de umas cavernas nos Andes) que transportam a gente pra esse outro mundo. Eles ficam sabendo através do tio do Caio, que décadas atrás tinha passagem livre para esses universos, pois comprava os cristais com o Valdez, um peruano que tinha uma loja de produtos fotográficos que servia de fachada pra esse tráfico interdimensional de cristais. Vai daí que dão um jeito de tomar os cristais e vão parar nesse mundo paralelo onde era tudo limpinho. Mas... a limpeza esconde outras coisas, mas isso vocês têm que ler o livro pra saber, não vou soltar todos os spoilers.
A primeira parte do livro mostra o casalzinho decifrando um monte de pistas e mensagens cifradas pra entender como funciona o mecanismo da coisa, como é que faz pra usar os cristais pra ir parar na São Paulo Limpinha. Na segunda parte, é a operação de resgate, pois a Ju fica presa do outro lado e o Caio tem que ir atrás dela pra salvá-la. E haja gangues de motoqueiros e outros perigos que prendem a atenção até o fim. Mas o melhor personagem é o próprio Valdez, que ainda por cima é um xamã peruano, procurado por uma espécie de Interpol do outro lado, que não quer que o pessoal daqui fique invadindo lá.
Anotem o que estou falando, esse livro vai virar best-seller, porque tem tudo que os adolescentes gostam. E tem história pra virar um blockbuster de Hollywood, melhor do que muita coisa que passa na Tela Quente. Estou curioso pra saber quem vão contratar pra fazer o papel do Valdez. Na verdade esse universo construído pelo Marcio Poletto-----> dá pra fazer uma mega-série, até mesmo histórias retroativas como "The Valdez Chronicles" ou algo assim. É claro que quando Hollywood comprar vai mudar a ação para Nova York e trocar os nomes dos meninos para nomes americanos, mas espero que mantenham o Valdez. O Valdez é legal porque como é um cara procurado pela puliça interdimensional, então ele muda de cara o tempo todo, às vezes parece peruano, às vezes alemão, até mesmo chinês. Acho que vão ter que arrumar vários atores pra fazer o papel dele, desde o Antonio Banderas ao Gordon Liu (aquele samurai véio que ensinou a Uma Thurman a cortar o pescoço dos outros em Kill Bill; aliás, embora tenha o mesmo sobrenome, o Gordon não é pai da Lucy Liu, que também aparece nesse filme).
E como estou sabendo dessas coisas todas? Ah sim, porque entre as inúmeras coisas que faço está preparação de texto, se eu vivesse só como cartunista morreria de fome. Peguei esse frila em dezembro, tinha que arrumar um pouco a ortografia e outras coisas, tipo detectar alguns furos na trama e pedir pro autor resolver. Na verdade fui ghost-writer do epílogo. Quando li o livro falei pra Deborah (a editora da Prumo, que está lançando o livro): "hum esse livro é ótimo mas parece esses filmes que "faltam rolo" no final, eu acho que no final o tio do Caio podia..." (spoiler suprimido) e aí a Deborah falou: "ué então por que você não reescreve o fim?" e eu "eu, hem tá louca, mexer no texto dos outros?" e ela, "não, manda bala, a gente manda pro autor e ele aprova ou não, ele é gente boa". então eu "então tá" e escrevi uma lauda imitando o jeito dele escrever. Bom, acabou que ele gostou tanto que não só não mexeu numa linha domeu epílogo apócrifo como mandou por meu nome nos agradecimentos. Na verdade esse pequeno acréscimo não interfere nada nessa história, era só pra dar um final feliz romântico pro tio não ficar na mão, afinal todo mundo se arrumou no livro e só ele ficou de fora? Sou um sentimental, gosto de finais felizes para todos, pelo menos nas obras de ficção.
Os outros lançamentos da Galera são ótimos. Já falei uns meses atrás do 90 Livros Clássicos para Apressadinhos----> do Henrik Lange, um sueco meio desconhecido por aqui. Ele já tá na área desde os anos 90 mas conseguiu fama mundial com essa série dos 90 qualquer coisa (ele já fez outro com 90 Filmes clássicos, que também vai ser publicado aqui). Espero que lancem os relatos sadomasoquistas dele em quadrinhos, esses devem ser ótimos.
Bom, no 90 Livros Clássicos ele simplesmente resume as maiores obras da literatura mundial em apenas três quadros, na verdade são quatro mas como o primeiro é só o título não conta. Imagine resumir um livro como Os Irmãos Karamazov em três quadros. Mas o Lange consegue.
<---Vejam no exemplo ao lado como ele interpretou a história do Drácula (clicando abre maior em outra janela).
Esta versão foi traduzida e letreirada por mim. Devo também fazer a mesma coisa com o 90 Filmes Clássicos.
O outro lançamento é a graphic novel do Príncipe da Pérsia--> que foi publicada lá fora em 2008 mas lançada aqui agora para aproveitar a onda do filme da Disney que esta chegando. Quem não se lembra do joguinho clássico Príncipe da Pérsia? Eu jogava a versão mais antiga, adorava jogar o Príncipe nas adagas pontudas daquele labirinto e matar ele. O jogo teve muitas versões e é um clássico dos games. Jordan Mechner, o criador, fez fama e fortuna com ele. Agora se deu bem pra valer pois a Disney comprou os direitos pra fazer um blockbuster, estreia nos EUA em maio e junho aqui. Devem tá vendo que a franquia Piratas do Caribe já deu o que tinha que dar e estão querendo outra coisa no mesmo gênero pra faturar milhões de dólares. Não sei se vou ver o filme, vou esperar passar na Tela Quente daqui a uns três ou quatro anos. Atenção: com o filme vem uma outra graphic novel, produzida pelo McFarlaine (argh!) e sua equipe, essa provavelmente vai ser lançada pela Panini. Mas a boa é mesmo essa que a Galera Record tá lançando, é a graphic novel original supervisionada pelo próprio Mechner e escrita pelo A.B.Sina e ilustrada pelo casal LeUyan Pham e Alex Puvilland. O casal continua parceiro do Mechner, ele tá lançando agora nos EUA outra graphic novel tão boa quanto essa, mas passada na idade média na França. O tema é do tipo que o Dan Brown gosta, tem a ver com templários e sociedades secretas.
Enfim, os desenhos são lindos. McFarlaine que se dane, viva o Casal Puvilland. Vai uma amostra aqui embaixo.
Devia ser uma boa a vida na Pérsia naquele tempo, aqueles haréns todos, só tinham que se preocupar com umas invasõezinhas básicas dos mongóis onde morria todo mundo, mas o resto era só festa. Essa era a Pérsia uns 1000 anos antes do tempo da Marjane Satrapi, aquela do Persépolis de que falei umas semanas atrás, dando scroll deve ainda estar mais aí embaixo.
Este Príncipe da Pérsia a tradução já veio pronta, mas preparei as letras e o design da edição.
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