POSTADO EM 4 E 13/5/2010
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Qui 13/05/10
60 ANINHOS

Darna, super-heroína filipina, faz 60 anos hoje. No post do dia 4 passado falei o que consegui apurar sobre ela. Hoje fica o registro da data, e uma dica para quem quiser ler as aventuras dela. Neste link do video48.blogspot.com tem como baixar as histórias clássicas da minha nova musa. Clicando nesta miniatura---->
também vai dar lá.

Graças ao simpático Simon Santos, dono do video48, pode-se passar horas e horas lendo o melhor dos quadrinhos filipinos, bem como ter uma panorâmica da indústria cinematográfica filipina, também muito rica. Outro blog muito bom é o a href="http://unanglabas.blogspot.com/" target="new">Unang Labas, que também posta com regularidade scans de belíssimas histórias. O único inconveniente é que os quadrinhos vêm em tagalo, mas digitando e jogando no tradutor automático do Google dá pra ter uma ideia do que eles dizem. A propósito, "unang labas" pelo Google significa "primeira corrida". Isso vinha escrito cada vez que uma série começava. Numa tradução mais apropriada seria "episódio de estreia" ou algo assim.

E essa nova ortografia me deixa louco. Quem está feliz são o Professor Pasquale que tem assunto garantido pra suas colunas e os revisores, que ganham um trocado a mais para consertar os textos publicados. Mas as regras são tão complicadas que todo mundo se confunde. Vai demorar um tempo pra eu me acostumar a escrever contrarregra em vez de contra-regra. Pior é com os acentos. Sou favorável a uma eliminação dos acentos, pois a maioria só serve pra atrapalhar. Claro, é legal manter alguns, senão a gente não saberia, ao ler "coco" se era "côco" ou "cocô"; aliás o
<----coco (fruta) antes da reforma ortográfica anterior a esta se escrevia "côco" com acento circunflexo, por causa dos diferenciais, não pra distinguir de cocô mas de coco (cóco) que é outra coisa. Aquela parada que tem em estafilococos, meningococos etc. E também uma variante de coque, aquele tipo de penteado. Mas pensando bem nem precisava tanto, porque pelo sentido a gente entende de qual coco ou cocô está falando. Por exemplo, se alguém escreve no Twitter "neste momento estou fazendo coco" é óbvio que está fazendo cocô, porque só quem pode fazer côco é o coqueiro; gente e bicho não faz coco, faz cocô (hum, melhor parar com esse assunto porque senão aquela minha amiga que estudou em colégio de freira vai reclamar de novo, como se as freiras também não fizessem cocô).

Mas por que comecei a falar disso? Ah, sim, porque só agora me toquei de que herói não perdeu o acento. Eu tava escrevendo heroi, mas é herói mesmo, embora super-heroico tenha perdido o acento (o hífen nem vou procurar saber se perdeu, já desisti de me preocupar com os hífens). Pelas novas regras só perdem as paroxítonas, mas as oxítonas ficam. Então continuam com acento herói e heróis, sóis, gói, papéis, anéis, etc. É, é isso mesmo, o livro e filme "O Senhor dos Anéis" fica como era antes dessa confusão começar.

De volta ao assunto principal, um lembrete aos que ficam pirateando coisas do meu site. Tenham a decência de citar a fonte, quando transcreverem pedaços inteiros e pelo menos avisem, tá? Outro dia dei um xilique porque um certo site de quadrinhos se apropriou do post anterior da Darna. Até citaram a fonte, mas não avisaram e o cara que fez isso ainda assinou em co-autoria. Colocou "de um texto de Otacílio d'Assunção no Blog do Ota, revisado por Fulano". Ora, o que o Fulano fez foi simplesmente eliminar certos trechos que continham divagações como essa do cocô e o resto; informações sobre a Darna, copiou literalmente. Aí assinou como revisor. Imaginem a minha surpresa quando eu, que continuo pesquisando exaustivamente sobre os quadrinhos filipinos, dou a enésima pesquisa dobre Darna e vejo "oba, um novo texto em português sobre ela". Aí vou lendo e percebendo "ei essas palavras são minhas". Chego ao fim e vejo que até sou creditado, mas arrumei um co-autor (ou coautor, sei lá) para o texto. É mole?

Bom, dei uma grita e tiraram rapidinho do ar, mas a grita não era pra tirarem as informações, e sim o crédito indevido do "revisor". Bastava terem escrto: "fonte: blog do ota" e o link. Nem é que eu queira aparecer, mas é bom saber de onde vêm as fontes.

Enfim, não me importo se usem as informações que posto aqui, até porque elas fazem parte do patrimônio cultural da humanidade e são pesquisadas em outros lugares. Mas eu cito as fontes, como fiz com o video48 e o Unang Labas. Sei que o conceito de direito autoral está mudando, mas os autores continuam tendo o direito de continuarem sendo creditados.

Esqueci de botar da outra vez, esta é a Darna moderna---->
dos quadrinhos. Não pedi permissão a inguém para piratear ela, mas acho que se encaixa nas normas do "fair use".

Ter 04/05/10
NUNCA HOUVE UMA MULHER COMO DARNA

Se o Sílvio Santos não estivesse caduco, ele bem que poderia comprar o passe da Darna pra passar no SBT. Ia levar o canal de volta ao segundo lugar de novo, ou quem sabe, até o primeiro. Seria audiência garantida. A estonteante Darna------------>
é simplesmente sensacional. Minha nova musa, me apaixonei por ela. Enfim um motivo para gostar de super-heróis de novo.

E ela tá fazendo 60 anos este mês, mas olha que corpinho! Infelizmente, ninguém aqui no Brasil sabe quem é ela. Afinal, o que é Darna? Heroína japonesa ou mexicana? Não. Darna simplesmente é o maior fenômeno pop das Filipinas, o país com a melhor produção cultural do mundo. À primeira vista parece um clone da Mulher Maravilha, mas é muito mais do que isso.

A saga da Darna começou no dia 13/05/1950, quando os leitores do gibi
<---Pilipino Komiks viram surgir essa "nova" super-heroína em suas páginas. Na verdade era um remake de outra personagem chamada Varga, lançada em 1947 numa outra revista filipina, a Bulaklak Magazine. Só que seu autor, Mars Ravelo, brigou com a direção da revista e pediu as contas. Havia um pequeno problema: a marca Varga pertencia à revista, e ele não podia levar a personagem junto. O que fez ele? Simplesmente mudou o nome e mudou umas coisinhas. E teve a felicidade de chamar o Nestor Redondo para desenhar a série. Foi um sucesso instantâneo e ela nunca mais se separou do povo filipino, que jurou proteger.
E o povo filipino também nunca mais se separou dela. Daquele dia em diante Darna se tornou a musa nacional. Pode-se dizer que virou a personagem mais famosa dos komiks filipinos.


O alter-ego de Darna continuava sendo Narda, uma menininha, mas houve algumas modificações. Na verdade em suas sucessivas encarnações Darna mudou um bocado.
Mas a nova versão era bem similar à anterior. Narda--->
era uma garota filipina pobre órfã que vivia com seu irmãozinho Ding e a avó. Um dia ela está passeando pelo mato e por acaso encontra um meteorito que caiu do céu. Ela engole a pedra e ganha poderes, transformando-se numa super-heroína gostosona do Planeta Marte. Simples, não?

Como eu disse, o povo adorou e Darna virou a estrela da Filipino Komiks, passando a sair regularmente em episódios de 4 ou 5 páginas e presença constante nas capas de revista. Isso impulsionou as vendas da Pilipino Komiks e a carreira do Nestor Redondo, que estava começando. Nestor é um daqueles artistas filipinos que junto com Alfredo Alcala, Alex Nino etc foram importados pela DC Comics no início dos anos 70. Ele não foi o único desenhista de Darna, que teve sucessivas encarnações, mas foi o melhor de todos.

Os filipinos, além de uma indústria própria de komiks, tinham também uma sólida produção cinematográfica, e costumavam adaptar as séries de quadrinhos mais populares para filmes.
Assim, no ano seguinte, 1951, surgiu nas telas filipinas
<---Darna at ang Babang Lawin que foi um fenômeno de bilheteria e fez a Darna decolar de vez. De lá para cá houve mais um monte de filmes e séries de TV e os quadrinhos, hã, komiks, sempre saíram paralelamente. Esta é a Darna dos tempos atuais.

Algumas coisas foram mudando a partir das encarnações seguintes. Narda não era mais uma menina de sete anos, e sim uma linda mulher de uns 18 ou 19. Mas os conceitos básicos e a mitologia permaneciam, inclusive a vilã Valentina,--->
a rainha das cobras, uma gostosa com cabelos à la Medusa. Outras ameaças e vilões foram surgindo para enriquecer o universo Darna. Até mesmo umas mulheres-árvore e a Black Darna, que era uma Darna do mal.


Clone da Mulher-Maravilha? Nem tanto. A roupa é meio parecida, exibindo generosamente as deliciosas formas da heroína, tem até bracelete e tudo (que ela usa pra rebater as balas) mas tem elementos e poderes mais para Superman (poder de voar, invulnerabilidade) e o esquema do Capitão Marvel gritar Shazam (pra virar Darna, a Narda tem que gritar Darna e pra voltar a ser gente comum ela tem que gritar Narda).

No cinema e TV, diversas atrizes interpretaram Darna nestes 50 anos. A mais nova Darna é Marian Rivera, essa gracinha ao lado.---->
O programa continua sendo líder de audiência. Dá pra ver alguns deles, ou pedaços, no Youtube. Embora sejam falados em filipino dá pra entender tudo e em alguns casos colocaram umas legendas em inglês.

Os episódios lembram um pouco o esquema do Power Rangers, monstros ridúculos etc mas desse tipo de produção trash Darna tem um quê de especial. Os efeitos especiais são meia-boca, afinal a verba na TV filipina não é a mesma da tv americana ou da Globo, mas quem se importa com isso? Vai chegar um dia que, como aconteceu com o Power Rangers, um produtor como o Sabam vai comprar os direitos e refilmar a Darna e sua turma com atores americanos, inserir um núcleo teen multiracial como manda o figurino e até disfarçar um pouco o uniforme pra DC não vir em cima por plágio. Mas se isso acontecer eu ainda preferirei a versão filipina tosca.

I love Darna. E tudo isso existe graças ao
<----Mars Ravelo! Este é sem dúvida um dos autores filipinos mais importantes, embora seja um ilustre desconhecido por aqui, já que não foi importado pela DC Comics em 1970 como o Alfredo Alcala e o Nestor Redondo. Além da Darna Ravelo criou um monte de outros personagens que fizeram sucesso, como a sereia Dyesebel, Capitão Barbell, Flash Bomba e muitos mais. Ele conseguiu sintetizar a fórmula que agrada ao público muito bem, dando esperança ao povo filipino. Narda era uma pequena órfã que ganha superpoderes e fica gostosa. Capitão Barbell era um fracote que vivia apanhando dos valentões até que arruma um jeito de se transformarnum super-herói parrudo. Flash Bomba não tinha direito o uso das pernas mas passou a desenvolver o uso das mãos. A sereia era filha de humanos, mas quando tava grávida a mãe ficou olhando muito pra umas imagens de sereias e ela nasceu assim. O pai fica puto de ter uma filha com deformidade, quer se livrar dela mas o casal acaba criando a filha em segredo e depois ela encontra seus pares... e vai por aí afora. Mars Revelo é um gênio. Ele morreu em 1988 mas seu nome continua vivo na mente do povo filipino. A abertura da Darna diz: "Mars Revelo's Darna" e os herdeiros dele vivem até hoje de direitos autorais!

Para ver os episódios, só persquisar Darna no Youtube.
Em tempo: a maioria das informações foi tirada deste blog aqui!------->
O video48.blogspot.com é o melhor blog sobre cultura pop filipina. Inclusive tem as primeiras histórias da Darna original escaneadas e os anúncios dos filmes clássicos, não só os da Darna como todos os outros komiks filipinos que viraram filmes. Dá um pouco de trabalho baixar tudo, mas é diversão garantida. O blog é escrito em inglês mas os quadrinhos estão em tagalog, o idioma filipino. Mas que importa isso? Dá pra entender tudo.

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