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Terça 22/8/2006


VOTEM NO CURURU!
Não sei se é proibido fazer propaganda eleitoral em blogs, mas dane-se... meu voto vai pro Cururu! Acho que ele mora lá pelas bandas do Rio Grande do Sul, vou tentar transferir meu título pra lá pra votar nele. Clicando na imagem ao lado--->
vocês vão dar no vídeo do YouTube que algum fã colocou, reproduzindo a propaganda dele na TV. É muito engraçado, uma pérola rara da propaganda eleitoral.
Obrigado, Leonardo, por ter passado o link!
Pra quem não tá com saco de assistir: o vídeo começa com uns gatos passando. A câmera foca numa mala onde está escrito MENSALÃO.
O cururu levanta, cai um pouco de dinheiro do chapéu dele. Ele fala:
-- Buenas, vou-me embora.
Chega a mulher do Cururu e pergunta:
-- Estás indo pra onde, amor?
-- Tô indo pra Brasília!
-- Vê se não viras ladrão por lá!
-- Mulher, já te falei que não sou ladrão nem mentiroso!
E vai caindo mais dinheiro...

O Cururu é o exemplo do político honesto: enquanto os outros dizem que não vão roubar, ele já mostra a que veio, assim ninguém ficará decepcionado.
Às vezes essa estratégia funciona. Nos anos 50, o Silvino Neto (pai do Paulo Silvino) veio com uma propaganda mais ou menos assim: "eu quero me arrumar!". E não é que ele foi eleito? Bons tempos aqueles, até rinoceronte podia se candidatar.
Foi o caso do Cacareco, o ano era 1958 ou 59. Os políticos estavam mais desmoralizados ainda do que hoje. Uma polêmica envolvendo os zoológicos do Rio e SP pela devolução do Cacareco aos cariocas começou a ocupar espaço nos jornais. Algum gaiato começou a pixar as ruas VOTE CACARECO e o resultado é que ele foi o vereador mais votado naquela eleição. Ganhou mas não levou.
O pessoal da Editora Outubro aproveitou a onda e lançou um gibi com ele--->
O anúncio era assim: "Eleito pela maioria!" Por dentro não era uma história política, eram apenas bichinhos simpáticos.
Naquela época não havia voto eletrônico e o eleitor tinha que escrever o nome do deputado na cédula. Ou outras coisas. Muits aproveitavam pra escreve ros palavrões mais cabeludos. Imagine na apuração, o pessoal abrindoos votos: mais um voto para a Puta Que Pariu... mais um voto pra Casa do Caralho... as mocinhas da apuração deviam corar de vergonha.
Hoje a gente tem que apertar um botão com as opções que eles dão. Não pode inventar candidato. No máximo tem um espaço pra votar nulo, mas não é a mesma coisa... em compensação a gente fica sabendo o resultado no mesmo dia. O quer dá no mesmo, porque na época do Cacareco todo mundo sabia que ele ia ganhar.


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E agora, mais uma tira do Fidel...


Quinta 17/8/2006


MAIS DO FIDEL
A Grande dúvida é se Don Fidel ainda está vivo, como vocês podem ver na tira que está lá embaixo nem mesmo ele sabe. O mistério começa a ser esclarecido agora: colocaram um sósia no lugar dele! e o sósia provou que é dos bons mesmo!



Observem a terceira tira do lote, é um remake desta outra que foi publicada em 6 de novembro de 2005!


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TOMA QUE O FILHO É TEU

Ainda faço a coluna HQ no Jornal do Brasil, resenhando os lançamentos em quadrinhos... este texto abaixo foi publicado na de segunda-feira... ás vezes, em vez de falar sobre os lançamentos, faço essas extrapolações. A ilustração do toma que o filho é teu saiu junto!

Quem conta um conto...

No tempo que as lendas eram transmitidas boca a boca, os contadores de histórias iam mudando tudo à medida que elas atravessavam gerações. Clássicos da Carochinha originalmente se pareciam mais com os gibis de Carlos Zéfiro, mas foram adaptados para o público infantil. A versão original da Branca de Neve era bem bizarra: ao ver sua amada morta dentro da redoma, o Príncipe deu uma de necrófilo e mandou brasa ali mesmo. Com o movimento, a maçã envenenada que estava entalada na garganta da Branca saiu fora, e por isso ela ressuscitou. Na versão inexpurgada da Bela Adormecida, aconteceu mais ou menos a mesma coisa: como ela ficou num estado catatônico, o outro príncipe comparecia regularmente, ela acabou engravidando e foi justamente o parto que a fez despertar. Já a história do Lobo comer a Chapeuzinho Vermelho e a Vovó não se referia ao sentido fagocitário da palavra. Agora um fenômeno similar está acontecendo com os personagens de quadrinhos e suas múltiplas versões em outras mídias, cada vez mais distanciadas das histórias originais.
Em 1938, na primeira aventura criada por Joe Shuster e Jerry Siegel, o Superman não voava, dava só grandes saltos pelos prédios. Lex Luthor era cabeludo. Nos anos 60 já era meio diferente, e mudou mais ainda com a reestruturação feita por John Byrne em 1986, quando a numeração da revista foi zerada e a história começou a ser contada de novo. Agora Papai e Mamãe Kent ainda eram vivos, Supermoça não era prima do Superman e sim um ser protoplásmico que mudava de forma, e por aí afora. Quando outros assumiram a série, mexeram mais um pouco. Mas tudo dentro de uma certa lógica.
Quando o seriado televisivo Smallville estreou, entretanto, os produtores deram uma de FHC ("esqueçam o que escrevi") e fizeram uma salada total. Dane-se a continuidade com os gibis! Como há mais telespectadores do que leitores é mais provável que, no futuro, o que fique valendo seja a versão Smallvilliana e não a dos quadrinhos, onde tudo começou. Se é que alguém não vai mexer mais ainda.
Aliás, os quadrinhos é que estão se adaptando às outras mídias A DC Comics anunciou as novidades para a próxima temporada de seus personagens. Uma delas é que o filho bastardo do Superman (esse que surgiu em Superman: o Retorno) vai aparecer no gibi, e deram a entender que haverá uma nova reformulação da origem.
Vamos ver onde essa coisa toda vai parar...

Sábado 12/8/2006

COMO É FEITA UMA TIRA
Muitos me perguntam como é o meu processo de trabalho. Então mostro aqui como foi feita a tira que vai sair na segunda-feira.



Esta tira foi feita ontem, sexta, três horas da tarde. Eu já estava meio atrasado, deveria ter feito isso mais cedo, mas de manhã fiquei escrevendo a minha coluna HQ que sai toda segunda.
Começo com um rascunho, feito numa folha de papel qualquer, pode ser algum guardanapo de restaurante ou outra coisa. Para a inspiração uso o jornal do dia, lendo de cabo a rabo as notícias ligadas às trapalhadas do governo. Ontem estava bom, já que na véspera havia saído a lista dos parlamentares envolvidos no esquema das ambulâncias. Eu já havia visto a matéria nos telejornais da véspera, mas sempre gosto de acompanhar a notícia escrita no dia seguinte, pois tem mais alguns comentários interessantes que podem puxar idéias. No caso do assunto em si, o que detonou a idéia foi uma página da Folha de São Paulo onde alguns dos envolvidos no escândalo se justificavam. A maioria dizia-se vítima de uma arapuca, jogava a culpa nos assessores, confiava na justiça divina para que o escândalo fosse esclarecido, enfim, todos os que responderam ao jornal diziam-se inocentes. Realmente deve ser muito chato para uma pessoa de reputação ilibada ter seu nome envolvido numa falcatrua, sabe como é, de repente o povo pensa que o cara é ladrão e não vota mais nele.
Entonces, depois dos subsídios jornalísticos, começa o processo criativo. Esta tira saiu fácil, levei 30 segundos para fazer o rascunho abaixo. Reparem que fiz algumas correções por cima.

Esse rascunho é só para eu não esquecer a idéia, já que estou bêbado na maior parte das vezes em que crio as tiras e minha memória não anda lá essas coisas. De volta pra casa, fiz os desenhos básicos que compõem a tira. Quando eu já tenho o personagem nem preciso desenhar, pego a imagem do arquivo. Mas às vezes ficar catando imagem no banco demora mais que fazer o desenho de novo.
Para desenhar uso folhas de papel Chamex tamanho A4. No caso dessa tira eu precisava de poucos desenhos, então coube tudo numa folha só. Às vezes uso mais de uma, conforme a necessidade. Levei menos de um minuto para fazer os desenhos abaixo.
Em seguida tenho que escanear o desenho. Escaneio em line-art, 300 dpi. Salvo como bmp. Esse arquivo recebeu o nome pimpaeoutro.bmp.
Esse personagem careca e de bigode se chama Pimpão--->
(já se chamou Praxedes, na verdade o nome completo dele é Praxedes Pimpão). Pimpão é uma espécie de curinga dos meus personagens, ele pode ser qualquer coisa, é um extra que uso quando preciso de um persoangem em situações indefinidas. É mais ou menos como o Frajola dos Looney Tunes, trabalha em qualquer desenho, tanto faz ser caçando o Piu-Piu ou o Ligeirinho, lutando contra aquele canguru gigante, bicho de estimação do Hortelino, o Frajola serve pra qualquer coisa.
O outro personagem não tem nome, criei na hora. É um deputado qualquer. Nesta tira, o Pimpão também é um deputado, mas quem acompanha o Dom Ináfio sabe que ele pode ser de tudo: diretor de presídio, preso, delegado, advogado, vendedor, qualquer coisa.
Em seguida pego um gabarito já preparado. Tenho uma tira em branco já com vários tipos de balões, fios, assinatura, indicação do blog, etc. Observem que este gabarito branco abaixo tinha um Fidel nele, é que nas tiras anteriores (vejam mais embaixo) o Fidel aparecia em seu leito de hospital, era sempre o mesmo desenho, variando só algum detalhe, como a mão segurando o jornal. Esse desenho do Fidel na cama era do arquivo, alguns meses atrás saiu em outra seqüência, só que o cobertor era xadrez, eliminei o xadrez porque lençol de hospital supostamente é branco.
Mas deixa o Fidel pra lá, ele só foi necessário pras tiras onde aparecia. Observem que também tem uma cora do Dom Ináfio. eu não preciso desenhar mais coroas, simplesmente aplico essa em cima da cara do Dom Ináfio. No caso desta tira do Pimpão, como nem o Dom Ináfio nem a Lady Mariva aparecem, a coroa é desnecessária. então elimino o layer da coroa e também do fidel.
O desenho do Pimpão é arrastado para esse gabarito virtual. Nesta fase, coloco onde ele vai ficar na tira. Aí já posso começar a colorir os desenhos.
Nesta fase também vou aumentando ou diminuindo os desenhos, para caberem na tira.
Essa parte do processo demora um pouco mais que as outras... levo meio minuto para bolar uma tira, um minuto para fazer os desenhos básicos e cerca de 15 minutos
a meia hora colorindo e fazendo os ajustes.
Na época que não tinha computador eu fazia tudo bem mais rápido. Mas agora fica mais caprichado.
Observem que o "outro" do primeiro quadro é exatamente o mesmo desenho que no quadro 3, eu simplesmente inverti. Isso depois de ter colorido os desenhos, claro, porque se eu duplicasse o layer antes de ter colorido teria que colorir duas vezes.

Os desenhos esão coloridos, agora coloco o texto no lugar. A ordem das operações não importa, às vezes escrevo o texto antes. Como vocês odem ver no gabarito, já tem algumas coisas escritas, restos de tiras anteriores. Eu uso uma fonte que criei baseado na minha letra. É só digitar o texto novo por cima do texto antigo.
Eu já havia substituído "corruptos" (que estava originalmente no radcunho) por "sanguessugas". O texto do rascunho &ecaute; vai sendo modificado no decorrer do processo. para caber melhor nos balões ou simplesmente ficar melhor ou mais enxuto.
Em seguida testo a tira com uma cobaia. Geralmente mostro o resultado pra Drix, esta simpática moça fazendo careta na foto ao lado---->

A Drix é minha assistente, às vezes ela dá uns palpites. Ela sugeriu colocar "sanguechupas" em vez de "sanguessugas", aceitei a idéia. Aliás, as as idéias da Drix são sempre muito boas. A Drix me ajuda a preparar o MAD, a que está nas bancas já tem o dedo dela.

A tira pronta fica assim:



Enquanto eu fazia isso, meu computador estava baixando as mulépeladas de que tanto gosto. Esta linda loura sentada no tronco ao lado--->
eu baixei enquanto fazia a tira, clicando nela a imagem aparece maior.
Depois, com calma, organizo as mulépeladas coletadas durante o dia.

Bom, voltando à tira. Bom, voilá, a tira já está quase pronta. Agora é só achatar os layers, salvar em outro formato. Salvo como tiff, pra ficar com essa tira de reserva quando for republicar ou algo assim, mas o formato que mando para o jornal é JPG. Depois de gerar o JPG, simplesmente zipo o arquivo e mando pro jornal. O diagramador, que já está desesperado, fica feliz quando recebe minha tira e coloca na página de tiras.
Infelizmente o Jornal do Brasil agora está publicando as tiras em preto e branco. Então de nada adianta eu ter colorido. Mas é que a mesma tira sai no Extra, um jornal para brasileiros que circula na costa Leste dos EUA. Se vocês forem no site deles e fuçarem um pouco poderão ver todas as tiras publicadas, na versão online. Aliás dá para ver no site do JBonline também. Mas demora pra achar. Supostamente eu coloco as mesmas tiras aqui no Blog, mas nos últimos dois meses fiquei com tanta preguiça que nem dei as caras por aqui.

Missão cumprida, faço mais alguma coisa que esteja pendente, ou continuo a baixar as mulépeladas. A essa altura o expediente está encerrando, a Drix e os outros assistentes já foram embora, e eu vou para o bar do Seu Jackson ou pro bar do Mauro tomar uma cervejinha. gosto desses dois bares porque a cerveja é mais barata, no Bar do Paulo, que é o mais perto de casa, eles estão metendo a mão, por isso só vou lá quando estou com muita preguiça de andar. O Paulo tá cobrando 2,60 pela Antarctica, enquando o Seu Jackson cobra 2,10. O Mauro cobra 2,30 mas às vezes vou pra lá porque no Seu Jackson não tem lugar, o bar fica perto de um ponto de táxi e está sempre cheio. A Drix fala que onde ela mora (no Flamengo) a cerveja é muito mais cara, ela fica espantada com os "baixos" preços praticados na Praça da Bandeira.

E assim acaba mais um dia de trabalho, volto para ver o Jornal Nacional e algum seriado, toco uma punheta pensando em alguma das mulépeladas que baixei e durmo... hoje de manhã passei aqui pra atualizar o Blog.

Abaixo, as tiras do Fidel que eu havia postado alguns dias atrá, quando tomei vergonha e passei a atualizar meu Blog novamente. Comentários-->



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