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Ter 29/12/09
GREMLINS DAS CANETAS E GUARDA-CHUVAS
Sei não, mas acho que tem um desses gremlins que escondem canetas aqui em casa. Sempre que procuro uma não encontro, e por mais que eu continue comprando novas canetas elas simplesmente somem do mesmo jeito. Não sei quando começou essa praga mas faz décadas que não gasto a carga de uma esferográfica até o fim. Quando eu era criança eu via a carga ir desaparecendo aos poucos, e ainda usava aquele macete de pingar um pouco de álcool pra render mais um tiquinho. Agora as canetas que uso estão sempre com a carga cheia, porque logo somem.

Onde vão parar as canetas? Acho que no mesmo lugar que os guarda-chuvas, que são outra coisa que vive sumindo. Comigo isso não acontece porque não uso guarda-chuva, prefiro me molhar do que ficar carregando um pra depois perder por aí. Mas caneta não posso passar sem, embora como eu já disse elas sempre estejam sumindo.

Acho que os gremlins fazem parte dessa máfia de camelôs que vendem guarda-chuvas e canetas. Já reparei que os camelôs que vendem canetas são os mesmos que vendem guarda-chuvas quando começa a chover. Os gremlins se encarregam de conseguir o material. Como as canetas estão sempre com a carga cheia ninguém repara que elas não são novas. O mesmo se dá com os guarda-chuvas: na pressa de comprar um quando está chovendo, ninguém vai reparar se ele é novo ou não.

Já fez a experiência? Experimente passar pelas ruas do centro. Na mesma hora que começa a chover, surgem do nada dezenas de camelôs vendendo guarda-chuvas. Podem reparar que são exatamente os mesmos que estavam vendendo canetas momentos antes. Aliás, o lance das canetas é apenas uma fachada. Como todos sabem, vender canetas não dá muito lucro. Uma caneta custa de 60 centavos a um real. Ainda que elas saiam quase de graça para a quadrilha, é preciso vender muitas unidades num dia para faturar alguma coisa, fora que tem que reservar algum para caixinha da quadrilha. A verdadeira fonte de lucro são os guarda-chuvas. No desepero uma pessoa paga de 20 a 25 reais por um guarda-chuva. Façam as contas. Vendendo uns quarenta por chuva um camelô fatura mil reais. Nem em um mês vendendo canetas ele ganharia tanto.

Minhas investigações levaram também a outra descoberta: além dos gremlins e camelôs, os meteorologistas também fazem pare da mesma máfia. Observem que a previsão do tempo sempre erra. Isso é para as pessoas saírem de casa sem guarda-chuvas e serem obrigadas a comprá-los. Como todos sabem, os salários dos meteorologistas são muito baixos e eles entraram para o mundo do crime para conseguir uma graninha extra. Acredito que não sejam só esses os componentes da quadrilha. Os verdadeiros donos devem ser pessoas acima de qualquer suspeita, como prefeitos, governadores, deputados, senadores ou até ministros. Aí tem coisa.

Abaixo uma tira que fiz algum tempo atrás sobre canetas sumidas...



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Dom 20/12/09
CHEGA DE VEADAGEM
E quando a gente pensa que a estupidez humana já atingiu seu limite máximo, sempre aparece alguém pra bater o recorde. Vi essa notícia aqui, mas as imagens não estão mais aparecendo... mas salvei e posto ao lado.--->
Bom, vamos lá ao resumo:

Em setembro passado, este gibi do Pernalonga---->
publicado pela Panini estampou logo na primeira página a imagem maior. Observe que o focinho do veado foi adulterado e nele alguém colocou um escudo do São Paulo Futebol Clube. Uma brincadeira interna de algum funcionário imbecil da Mythos Editora, que produz editorialmente as revistas da Panini. O cara deve ser de outro time e resolveu sacanear os sãopaulinos, associando o time aos veados. E foi pra casa crente que tava abafando.
Aí a edição foi pras bancas e logo a seguir alguém descobriu, e mandaram recolher a revista! Agora, três meses depois, o gibi está novamente nas bancas, mas sem o nariz polêmico, isto é, voltou ao normal. Se deram ao trabalho de reimprimir a revista inteira com a imagem correta e jogar d enovo nas bancas.
No meu tempo jornais eram recolhidos pela ditadura militar por causa de artigos ou cartuns que irritavam os milicos. Mas é a primeira vez que vejo um gibi ser recolhido por causa de uma pendenga entre torcedores de futebol.

Procurei me inteirar mais sobre o caso, mas o que aparece é sempre essa matéria do Guia de Quadrinhos do dia 18/12. O resto são comentários em foruns sempre se referindo ao Guia. Os outros blogs especializados em quadrinhos que eu saiba não deram uma linha até agora, e isso é estranho porque esse pessoal fica sempre à cata de qualquer notícia pra encher os blogs, por essa lógica o escândalo deveria ter vindo à tona em setembro.

Enfim gostaria de saber o que houve, mas também não vou perder tempo apurando. O que sei é que a "homenagem" não constava do focinho original, algum idiota colocou o escudo do clube só de sacanagem e a revista foi impressa e distribuída assim, em setembro. Exatamente o que rolou depois não sei, mas provavelmente alguém do SPFC ficou puto com a gracinha, reclamou com a Panini e mandaram recolher o gibi. Imagino a despesa que deu, e gostaria de saber com quem ficou o prejuízo, se a Panini assumiu ou descontaram da Mythos, e ainda se identificaram o autor da presepada e o demitiram.

Seja como for, é muita pobreza de espírito. Adulterar um gibi já é um crime grave. Associar veados a torcedores é mais baixaria ainda, ainda mais porque os simpáticos animaizinhos não têm nada com isso. É esse tipo de pessoa que trabalha nas redações de gibis atualmente.

Mas o que me intriga mesmo é o fato de terem reimprimido o gibi, podiam simplesmente ter recolhido e deixado por isso mesmo, não faria muita diferença. Mas acho que houve mais coisa nesse episódio. O pessoal da Warner deve ter ficado puto e exigido a reparação do incidente. Ué, dirão vocês, a Warner e não o SPFC? Sim. Esses também. Porque há interesses comerciais entre a Warner e o SPFC envolvendo justamente... o Pernalonga. Em 2007 os dois fizeram um acordo comercial e o Pernalonga foi licenciado como mascote oficial do clube.
Fizeram até bichinho de pelúcia e tudo!----->
Esses estão sendo vendidos atualmente no Mercado Livre por 120 reais. Mas quem deu sorte de comprar o gibi antes dele ser recolhido pode lucrar muito mais, pois esse do veado sãopaulinense virou peça de colecionador e vai alcançar altos preços.

Ah sim, e não custa nada lembrar a origem do termo veado e o número 24 serem associados aos gays do sexo masculino. O Barão de Drummond, em 1873, fundou o bairro de Vila Isabel, onde criou o primeiro jardim zoológico da cidade. Para estimular a frequência, distribuía prêmios em dinheiro entre os visitantes, escolhendo um bicho por dia, cada um correspondendo a um número, que participava do sorteio. Os bicheiros gostaram da idéia e a encamparam. E transformaram o jogo do bicho num negócio pirata. Parece que nos tempos do Barão tinha mais uns bichos que ficaram de fora: o rato, o javali, a girafa, o tucano e a zebra. A nova combinação tinha agora 25 bichos em ordem mais ou menos alfabética.
Não sei por que a vaca fica depois do veado, mas coube a ele o número 24. Isso ("um fica de dois e outro de quatro"> e mais a delicadeza de veados como o querido Bambi------>
do Walt Disney acabaram associando o animal e o número ao homossexualismo masculino. Veado virou "viado" pra se referir aos ditos-cujos, e na chamada da escola azar de quem tinha esse número, era o maior mico. Me lembro de meu colega o ginásio, o Mário, que sempre pegava esse número. Os professores faziam a chamada assim: "24... Mário" e o resto da turma caía na gargalhada.

Ah, sim, é apenas no Brasil que os veados são associados a viados. No resto do mundo ninguém faz essa analogia. Pelo contrário, o veado é considerado um animal muito "macho".


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Sex 11/12/09
FINAL TRIPP
Hum, que chato... acabei de ficar sabendo, e com um certo atraso. Quem passou desta pra melhor no dia 27 de novembro foi o Irving Tripp, que morreu de câncer aos 88 anos, rodeado pela família.

Tá perguntam vocês mas raios quem foi Irving Tripp? Quase ninguém associa o nome à pessoa, ainda mais que as histórias não eram assinadas. Mas Tripp era aquele desenhista da Luluzinha das antigas. Todo mundo já viu e amou as histórias dele. Tripp era só o desenhista, os roteiros eram do John Stanley, que começou também desenhando mas dividiu as tarefas quando a demanda aumentou (Stanley já morreu faz um tempo). Mas quem estabeleceu o visual da Luluzinha como a conhecemos foi o Tripp, que deu uma estilizada nos também ótimos desenhos do Stanley, que por sua vez bebia na fonte da criadora original, a Marge. A série de desenhos do Cartoon Network teve o design todo baseado no visual do Tripp e duvido que ele tenha recebido algum tostão por isso.

Bom, Luluzinha é coisa do passado, essa luluzinha-teen-mangá que está nas contas não honra as calcinhas que veste. Achjo que o Tripp nem ficou sabendo dela, senão sua morte teria sido antes (de desgosto).



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Qui 10/12/09
OCTOBRIANA
E a picaretagem não é privilégio brasileiro. Lembrei agora que em 1971 apareceu um livro, Octobriana and the Russian Underground, escrito pelo tcheco Petr Sadecky, revelando ao mundo a existência de uma heroína underground russa, Octobriana, que teria sido criada em 1960 por um grupo de dissidentes soviéticos que se auto-entitulava PPP (Pornografia Política Progressiva). O nome aludiria ao “verdadeiro espírito da Revolução de Outubro”. Sadecky, ele mesmo um dissidente da União Soviética, fugiu para o Ocidente trazendo o material na mala.

Logo apareceu uma editora interessada em publicar e milhares de trouxas como eu compraram o álbum de luxo que mostrava como eram os quadrinhos clandestinos na famigerada União Soviética. Mas logo se descobriu que não passava de uma farsa. Sadecky era um picareta que convenceu dois artistas tchecos, Bohumil Konecny e Zdenek Burian, a produzirem a história alegando que já tinha um editor em vista. A personagem se chamaria então Amazona. Sadecky fugiu então para o ocidente com os originais e ganhou uma bela grana com o livro.

É claro que quando souberam da façanha do seu ex-amiguinho Konecny e Burian ficaram putos e chegaram a processar Sadecky num tribunal da Alemanha Ocidental. Ganharam mas não levaram, pois não conseguiram recuperar os direitos nem os originais. Como a personagem não tinha copyright, sendo portanto de domínio público, um monte de gente usou a Octobriana em outras histórias. Ela aparece em Luther Arkwright, de Brian Talbot, e diversos outros artistas também mamaram nas tetas dela.

Ah, sim e como gostaram, lá vai mais uma tira do Concursino:



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Qui 3/12/09
CONCURSINO
Por esses dias está completando três anos que faço a tira do Concursino para a Folha Dirigida.



Bem, não é uma tira comum. Ela é voltada para o público do jornal, os milhares de concursinos de todo o país.

E quem diria, o OtaTube voltou com toda força. Os xiitas não devem estar muito satisfeitos, mas problema deles.


Concursinos são aquelas pessoas que ficam fazendo tudo que é concurso que aparece, na esperança de melhorar de vida virando empregado do Estado. É o sonho de muita gente. Talvez se eu tivesse seguido os conselhos do meu pai e feito concurso para o Banco do Brasil uns 35 anos atrás minha situação fosse outra. Eu estaria gozando de uma gorda aposentadoria e nem precisaria fazer tiras para sobreviver, poderia estar no mato criando galinhas ou cuidando melhor da minha coleção de mulépeladas. Ao contrário dos simples mortais, funcionários públicos recebem aposentadoria integral. Já um trabalhador de empresa privada tem um teto que não passa de alguns salários mínimos. Sem contar com a estabilidade, é difícil ser mandado embora, a não ser que o cara faça uma merda muito grande. Por isso que todo mundo quer.

Aliás essa é a única maneira honesta de se conseguir um emprego público, né? Não precisa ser apadrinhado do Sarney ou algo parecido, basta fazer as provas e passar.

O Folha Dirigida é leitura obrigatória para quem está nessa praia dos concursos. Publica as novidades, gabaritos, antecipa os concursos que estão por vir, etc. Há uns três anos o jornal sofreu uma reforma gráfica implantada pelo Francisco Ucha, que deu idéia ao Seu Adolfo, o dono do jornal, de colocar uma tira em quadrinhos para agregar valor ao jornal, e me indicou. Estou lá até hoje. Eu era um leigo nesse lance de concursos e o Ucha me explicou como eram os Concursinos. Aí criei um núcleo de personagens.

Um Concursino de verdade, tal como o meu Concursino, faz tudo que é concurso que aparece. Estuda para vários ao mesmo tempo, pois não sabe em qual vai passar, e se será chamado logo. Daí não arrisca: faz um monte de uma vez. Não é tão moleza assim passar nos concursos. A bem dizer, muita gente faz os concursos para adquirir experiência para os seguintes. Até conseguir a tão almejada vaga.

O concursino da tira, entretanto, tem uma característica: para ele o que importa é fazer os concursos, para bater o recorde do Seu Romário, o cara que completou mil concursos em 2007. Concursino ainda tá em uns 300, mas com a média de 100 concursos por ano logo baterá o recorde muito antes do Seu Romário, que chegou a esse patamar já bem velhinho. Ele é obsessivo-compulsivo por concursos, até concurso de gari ele faz, quer estar em todas.

A tira sai duas vezes por semana, periodicidade que o jornal é publicado. Cheguei às 300 há pouco. Provavelmente, é a tira mais lida que já fiz. Parece que a soma das edições do jornal (são várias, de acordo com o estado o conteúdo muda um pouco) chega perto de 1 milhão de exemplares. Considerando que o leitor médio da FD não compra todas as edições, e sim apenas as que falam sobre concursos que lhe interessam, pode-se multiplicar esse número por cinco para saber quantas pessoas já leram essa tira alguma vez.

Sem contar que resolvi parte dos meus problemas sem ter que fazer concurso. O concursino não me dá muito trabalho e em duas horas resolvo cada tira baseado na pauta que o jornal me manda e ganho meu dinheirinho certo no fim do mês. A Folha Dirigida é meu único cliente que paga rigorosamente em dia. Alguns dos outros é uma lenha pra receber. Feliz aniversário, Concursino!

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