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Qui 18/02/10
APERTEM OS PINTOS! A MUSA SUMIU!

UAAI! Ontem de noite resolvi dar uma espiada pra ver se tinha alguma novidade no site da Cuterain---->
e o site não tava mais lá!!!!!!!!!!!!!!!!! E essa agora.

Quem acompanha meu Blog deve saber que em junho/julho eu estava totalmente de quatro por essa linda argentina que montou seu próprio site de mulépelada. Montei até um festival no OtaTube. Achava a mulher mais linda do mundo, e ainda deve ser, mas sabe-se lá onde ela se enfiou. Façam a experiência: cliquem em www.cuterain.com e vejam o que acontece. Vocês serão redirecionados para um site de música eletrônica. Mistéééério.

Mulheres peladas às vezes somem. No domai.com tinha umas gatas que simplesmente desapareceram de uma hora pra outra. A explicação nesses casos é que elas tinham casado com maridos ciumentos que obrigaram os sites a tirarem os ensaios que expunham suas vergonhas. Era meio assim: o dono da Domai ou o fotógrafo recebia um telefonema, ou carta, exigindo que a mulher tal fosse retirada. O dono das fotos respondia: "vá se catar, ela tirou as fotos porque quis, até assinou os documentos cedendo os direitos". Aí vinha a resposta: "acontece que agora sou o marido dela e não quero mais que minha mulher fique mostrando a xavasca pra todo mundo, eu compro as fotos de volta pelo triplo que você pagou!" ou "Ah é? Pois saiba que sou um mafioso perigoso e você vai ver o que vai acontecer com você se essas fotos não desaparecerem imediatamente!", aí no dia seguinte as fotos sumiam como que por encanto, mas ninguém percebia porque tinha muitas outras. Mas sumir um site inteiro é outra coisa.


Eu só percebi o sumiço da Cute ontem de noite, quando resolvi entrar lá pra ver se tinha alguma foto nova. E fui redirecionado para o tal site de música eletrônica. Procurando por ela no Twitter, vejo que ela não twita desde 3 de novembro. Sumiu do Twitter também. Sumiu. Foi pras cucuias. Escafedeu-se.

Primeiro pensei nessa explicação que ela podia ter casado com algum milionário ou mafioso ciumento, mas acontece que a Cuterain fazia parte de uma espécie de pool de sites de mulépeladas argentinas.

Além dela tinha outras amigas que às vezes posavam com ela nuns ensaios meio "lesbian-light" e também tinham outros sites parecidos, como a igualmente estonteante
<---Sexy Jaqui e a Cosmic Mel, essa supostamente montou o site pra se vingar de um ex-namorado. Pois bem. Digitando sexyjaqui.com ou fuckyoupaul.com também não vai dar em nada, isto é, vai dar no mesmo forum de música eletrônica. Mistéééério. Ao que parece, a firma em que elas trabalhavam encerrou as atividades mulepeladísticas e agora só mexe com música eletrônica. Notem, não é um "not found", vai tudo redirecionado pra esse outro site.

Eu já tinha reparado que o site da Cuterain estava meio devagar, porque entrava lá de vez em quando e não via amostras grátis de ensaios novos, eram sempre as mesmas. Mas os site continuava lá. Por isso deixei de frequentá-lo com assiduidade. Mas ontem fui matar as saudades e me dei de cara com esse redirecionamento maluco. Não acredito que a explicação seja essa dela ter casado com algum milionário ou mafioso ciumento, porque os outros sites da turma dela também sumiram. Só se foi algum xeque árabe que arrematou todas de uma vez e as levou pro seu harém. Seja lá como for é muito estranho. Que houve alguma coisa, houve.

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Seg 15/02/10
PERSEPOLIS

Que os xiitas marjânicos me perdoem, mas o filme
<----Persepolis é melhor que a HQ original, se é que isso é possível. Mas, também, foi co-dirigido pela própria autora do gibi, a estonteante
Marjane Satrapi.----->
Ela precisou suprimir umas partes porque senão nem em dois filmes cabia. Deu uma limpadinha básica no traço, agora menos xilogravura e mais clean, e ficou perfeito. Não que a HQ não fosse, mas do jeito que fizeram ficou bem ajustado à nova mídia.

No meio dessa decadência toda dos quadrinhos do mainstream, surge pelo menos uma coisa boa a cada década. Assim, nos anos 80 tivemos Love and Rockets, nos anos 90 tivemos Bone e na década de 2000 o troféu sem dúvida vai para Persepolis.

A Pérsia já foi bem melhor em tempos idos. Na época das 1001 Noites era um reino glorioso, digna de muitas histórias antológicas e príncipes que até viraram jogos. Mas nos últimos séculos não tem sido um bom lugar para viver, principalmente depois que passou a ser chamada oficialmente de Irã. Quando eu era criança não entendia por que o Chá da China se escrevia com CH e o Xá da Pérsia com X. Achava que xá era uma coisa de beber, até que me dei conta de que era um governante.

Era a época do Xá Reza Pahlavi e da gatíssima imperatriz Farah Diba.------>
Mas o filme deles ficou queimado e em 1979 uma revolução os tirou do poder.
Ok, o Xá não era muito flor que se cheirasse. Era manipulado pelos EUA e Inglaterra, torturava dissidentes políticos e o povão passava fome, corrupção rolava solta. Então resolveram dar um fora nele. Mas a emenda saiu pior que o soneto.

Agora o manda-chuva era o maior líder religioso do país, o Aiatolá Komehini, que tratou de fazer voltar a moral e os bons costumes islâmicos. Mulheres foram obrigadas a usar véu de novo, casais apaixonados não podiam andar de mãos dadas pela rua. Música ocidental, nem pensar. Só no mercado negro. Pra comprar uma fita de alguma banda de rock era mais complicado que aqui no Brasil alguém subir no morro pra comprar maconha, cocaína ou crack. E, pra piorar, a malfadada Guerra do Golfo e a guerra Irã-Iraque não deixavam a população em paz.


Foi nesse contexto que a pequena Marjane Satrapi cresceu. Filha de uma família classe média liberal, que era contra o regime do Xá, de início ela e os parentes exultaram quando o Xá foi expulso. Depois viram que a cana era dura. Bebidas, minissaias, tudo foi proibido. Sexo fora do casamento, nem pensar. Marjane não pensava em sexo naquela época, mas viu que a coisa era feia. Pra aliviar, os pais a mandaram estudar fora, na Áustria. Lá ela conheceu uma turma maneira, mas a fome acabou apertando e ela voltou pra casa, onde começou a estudar Belas-Artes. Só que a cana estava mais dura ainda. Vendo que ela nunca daria certo por lá, a família mandou a Marjane pra França, onde ela começou uma brilhante carreira no mundo dos quadrinhos e foi feliz para sempre.

Sua autobiografia Persepolis virou um best-seller e ganhou até prêmio en Angoulême. Todo mundo queria ler aquela história do até então inexistente "quadrinho iraniano". Feito por uma mulher, ainda por cima, contando as coisas do ponto de vista feminino. Para nós do Ocidente ficou mais fácil entender como era a vida aquele país. Marjane não tem uma obra muito extensa, e esta se divide entre alguns livros para crianças e mais os poucos álbuns que fez depois de Persépolis. Em Broderies (Bordados) continua contando a vida das mulheres iranianas da sua família e volta a brilhar no Salão de Angouleme com Poulet aux Prunes (Frango com Ameixas),---->
desta vez contando a vida de seu tio, um músico iraniano dos anos 50. O título se refere ao prato predileto dele. Este, como Persepolis, também foi publicado no Brasil pela Cia. das Letras. Depois disso os quadrinhos pararam. Persepolis virou filme, dirigido por ela em parceria com Vincent Paronnaud. Ganhou o prêmio especial do júri em Cannes em 2007 e foi indicado ao Oscar, perdendo pra Ratatouille. Bom, o filme é lindo, maravilhoso, e está na grade do Cinemax Prime. Vai passar de novo quinta, 18/2, às 20:10. Não percam!

Marjane está preparando agora sua próxima animação, baseada no Frango com Ameixas. Que venham as ameixas! Espero que ela não pare de produzir quadrinhos.

E, enquanto isso, no Irã... a coisa continua feia como sempre. Desde 2005 está sob o comando de Mahmoud Ahmadinejad, aquele amiguinho do Lula que esteve aqui há pouco tempo. O mesmo escrotinho que disse que o Holocausto nunca existiu, que ganhou a reeleição na marra em 2009, na base da fraude. Dizem que ele teve só 12% dos votos. Não ganhou, mas levou assim mesmo. De nada adiantou toda aquela grita no Twitter e até nossa heroína Marjane (junto com outro cineasta iraniano, Mohsen Makhmalbaf) apareceu no Parlamento Francês pra dedurar a farsa, mas acabou tudo em pizza, ou em ameixas. Quem estiver interessado em ver uma versão "apócrifa" de Persepolis contando o que houve clique aqui pra baixar o pdf. Amigos de Marjane, com autorização dela, montaram uma HQ usando desenhos de Persepolis mas com o texto trocado, explicando o que aconteceu no Irã na eleição do ano passado.

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Sáb 06/02/10
CENOURAS
E essa agora, não é que a história da cenoura voltou à tona?

Já tinha até esquecido desse episódio. Mas esta semana os jornais e sites de fofocas começaram a dar a notícia de que, depois de tantos anos, Mário Gomes quer processar o Daniel Filho e a Globo por ter tido sua carreira prejudicada, por causa do boato que rolou em relação a suas preferências vegetais, digo, sexuais.

Só que são todos mal informados, pois trocaram as datas todas. Dizem que o lance da cenoura foi em 1976 mas o boato só se espalhou em 1984. Nada disso. Sou testemunha ocular da história e vou narrar tudo (quer dizer, sou testemunha não da cenoura, mas da repercussão na época).

Em 1977 a novela das oito era Duas Vidas. Estrelada pelo Francisco Cuoco, mas o galã mesmo era o Mário Gomes e a mocinha a Betty Faria.----->
A novela era dirigida por Daniel filho, então marido da Betty. Dizem as más línguas que ela fez hora extra por fora com o Mário e o maridão não gostou muito e jurou vingança. De repente começou a rolar um boato de que o Mário tinha sido internado às pressas com uma cenoura enfiada no... hã, em local inapropriado. Ninguém falava em outra coisa, era o assunto nos botecos, salões de cabeleireiro, pontos de ônibus e onde mais fosse. Isso queimou totalmente o filme do Mário Gomes, colocado na geladeira pela Globo por um bom tempo. O único papel de destaque que ele teve foi como galã da novela Vereda Tropical, uma década depois, então sumiu de novo, e apareceu recentemente em A Favorita, num papel que não foi muito adiante. Agora ele tá na concorrência e resolveu abrir o processo: quer 40 milhões de indenização.


Carlos Imperial já se deu mal por causa de suas brincadeiras. Quando mandou um cartão de Natal com uma foto dele sentado na privada alguns militares não gostaram e ele ganhou umas férias forçadas na Ilha Grande, que na época abrigava um presídio.
Ao que se diz o boato foi plantado pelo
<----- Carlos Imperial, que teria telefonado para todas as redações contando o ocorrido. Supostamente de combinação com Daniel filho, que queria queimar seu desafeto de qualquer jeito. Na época, como todos sabem, a ditadura militar ainda estava mandando, e os jornais não chegaram a publicar a história na íntegra, mas TODO MUNDO sabia da história. Saíam piadas de forma meio velada. Me lembro que publiquei na Mad uma fotopotoca com dois coelhos diante de uma cenoura, um dizendo ao outro que de repente tinha perdido a fome... em outra revista, a underground A Mosca, editada pelo Fernando Silva, eu tinha uma seção chamada "As Solitárias", sempre com piadas sobre solitárias saindo do fiofó das pessoas. Uma das piadas mostrava um banheiro masculino, um bando de homens pelados de costas tomando banho, todos com solitárias saindo do rabo, com a exceção de um, que tinha uma cenoura no dito-cujo. Duas solitárias comentavam: "sinto que há um estranho entre nós". Esse tipo de piada podia. A Mosca era vendida meio clandestinamente e os militares não se importavam muito, pois não falava mal do regime.

Enfim, era um boato. Duvido que tenha acontecido realmente. Mas boatos tomam força e são impossíveis de controlar. Eu me lembro que um cara que eu conhecia jurou de pés juntos que era verdade, que tinha testemunha disso... que a mãe dele era enfermeira justamente do suposto hospital onde ele foi parar pra extrair o que restava da cenoura e estava lá, na hora do plantão.

Reparem que nunca quem espalha o boato testemunhou o fato, todos são uma história contada em confiança "por um amigo de um amigo de um amigo meu", que nem aqueles desenhos que passavam no Cartoon Network preenchendo os espaços entre um programa e outro algum tempo atrás, na época que o Cartoon ainda fazia jus ao nome e passava desenhos.

O boato da cenoura ficou rolando algum tempo, depois como sempre acontece perde força quando aparece algum mais novo. Mas nunca mais o Mário Gomes se livrou do apelido de "Cenourinha". Não adiantava ele explicar pros amigos que aquilo tudo era maldade do Imperial, ninguém acreditava. O fato é que ele, que era um promissor ator global, sumiu completamente do mapa e só pegava, muito de vez em quando, papéis meia-boca.

Há um dois anos ele deu entrevista a um site e quando fizeram a pergunta sobre esse assunto ele minimizou: disse que o episódio da cenoura nunca realmente o prejudicou. Ele tava querendo colocar panos quentes na cenoura, digo, no assunto. Aposto que os advogados das outras partes vão incluir essa entrevista nos autos.

Histórias desse tipo sempre prejudicam as pessoas. Ainda no fim dos anos 70, e isso muita gente viu, quer dizer, eu não vi mas amigos contaram que amigos de amigos tinham testemunhado, uma garota em Porto Alegre estava em um clube ou uma boate, durante uma festa, e levou uma garrafa de Coca-Cola vazia para se masturbar. Só que com o vácuo a garrafa não saía mais e ela teve que ser levada às pressas para o hospital pra uma extração de emergência. A menina ficou falada e a coisa chegou a tal ponto que a família inteira teve que se mudar da cidade. O pai arranjou outro emprego e foi começar nova vida por causa da garrafada da filha.

Até nas 1001 Noites tem histórias assim. Além das aventuras de Aladim, Simbá e outros heróis há umas curtinhas, que são mais no gênero piada. Uma delas conta a história de um homem que, em certa ocasião, soltou um peido tão sonoro que aquilo virou assunto em toda a cidade e ele não teve mais sossego. Ficou com a fama de peidão e acabou resolvendo ir embora. Atravessou vários desertos e foi morar numa cidade bem longe, estabeleceu-se por lá e ficou na dele. Um dia um amigo que fez na sua nova cidade perguntou de onde ele era, ele respondeu que era de uma cidade muito distante, que ele não devia conhecer, a Cidade Tal. E o cara diz: "ah essa cidade é muito conhecida sim, é aquela onde tempos atrás um cara soltou um peido tão sonoro que se ouvia a quilômetros".

Bom, espero que o Mário Gomes ganhe o processo, assim ele terá uma velhice tranquila. Embora do jeito que as coisas se arrastam, é provável que os herdeiros dele é que vão usufruir do dinheiro, ou os do Daniel que tenham que pagar.

Quem quiser ver um vídeo muito divertido, assista este "Furico Li Furico Lá" aqui.----->


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