Sábado, 13 de março de 2011
MUNDOS PARALELOS Por incrível que pareça, a tira do Brucutu----> ainda existe, sai em 600 jornais americanos e apesar de ter sido criada há 79 anos ainda está no terceiro desenhista. V. T. Hamlin, o criador original, passou a bola pro assistente Jack Graue e este para o atual, Jack Bender, cuja esposa Carole escreve os roteiros. Não está ruim agora. Mas as limitações de espaço nos jornais forçam os desenhistas a simplificar tudo, então nada de quadros detalhados. Em vez dos quatro ou cinco quadros originais, agora são só dois e com texto compacto. A nova geração mal conhece esse personagem, que até já virou tema de música do Roberto Carlos no tempo da Jovem Guarda. Para quem está chegando agora, Brucutu é um homem das cavernas que um dia foi puxado para o tempo presente pelo Dr. Papanatas, um cientista que inventou uma máquina do tempo. Depois disso, a história deixou de ficar restrita ao tempo das cavernas e as tramas envolviam passeios pela História, quando ele encontrava personagens como Helena de Troia e muitos outros. Talvez ele tenha sido o primeiro homem a pisar na Lua, porque em 1948 saiu uma aventura envolvendo uma viagem ao nosso satélite -- portanto algum tempo antes do Tintin e do Pererê, que já estiveram por lá. E bem antes do soviético Yuri Gagarin dar o primeiro voo espacial ou o americano Neil Armstrong pisar na Lua. Acho que Brucutu só perde pros persoangens de Júlio Verne. Na aventura corrente, Brucutu está prestes a fazer mais uma viagem espacial. Foi descoberto um planeta gêmeo da Terra, chamado Terra-2, que nunca é visto por nós porque tem uma órbita idêntica mas exatamente oposta à Terra, portanto ficando sempre escondido pelo Sol.
Devido aos poucos quadros das tiras, a história se arrasta mais que aquela Tartaruga que o Kemp fez e virou mascote do Otatube. Já tem mais de um mês que essa história começou e em tempo real não se passaram nem 15 minutos. Um empresário chega no laboratório do Papanatas, fiz a ele que foi descoberto esse planeta gêmeo e está tentendo convencê- lo a topar a empreitada. Há umas três semanas o cientista está questionando o aspecto ético da coisa, se vale a pena explorar um novo planeta só pra extrair minerais e outros recursos. Mesmo com uma mala cheia de milhões de dólares e uma carta do governo americano autorizando a empreitada, Papanatas está ainda pensando se deve ou não topar a parada. Obviamente o astronauta escalado pra ir ao novo planeta vai ser o Brucutu, mas este sequer foi mencionado na história ainda. Se vocês querem saber como estou acompanhando a tira, vão neste link aqui.
Só que esse conceito de um mundo gêmeo à Terra escondido pelo Sol não é novidade. Ao que parece, Carole Bender está fazendo uma homenagem à deliciosa hq de FC Twin Earths, criada em 1952 por Oskar Lebek e Alden McWilliams, que era sobre a mesma coisa. Começou como uma tira diária onde um agente bonitão do FBI, Garry Verth, era procurado por uma linda mulher, Vana, que se dizia desse outro planeta em missão na Terra e estava sendo perseguida pelos seus pares, que montaram uma rede de espionagem aqui. A Terra-2 dessa história se chamava... Terra, que pra nós é uma palavra familiar, mas pros americanos não: a nossa Terra em que vivemos pra eles se chama Earth. Terra era um mundo paralelo a Earth, do mesmo tamanho, órbita oposta etc etc, mas a grnade diferença era que Terra tinha uma população com 94% de mulheres. É, isso mesmo. Homens eram raros por lá e gostosas abundavam. Por isso Garth fica interessadíssimo em visitar o planeta gêmeo, onde é recebido com festa pelo mulherio carente. Antes disso enfrentou espiões soviéticos que queriam se apropriar da tecnologia dos "terráqueos". Lembrem-se que em 1952 o grande inimigo da humanidade era o comunismo, que pretendia escravizar a todos no planeta. ![]() Os habitantes de Terra estranham Garry usar calças, e não saias como os homens de lá. Uma gostosa diz: "não são as saias que fazem um homem." A tira começou em 1952 e Lebeck a escreveu até 1957. Depois disso McWilliams assumiu os roteiros também e continuou até 1963 quando cancelaram a tira. Em 1953 a distribuidora United Features ofereceu aos jornais uma versão dominical de Twin Earths. Era o mesmo universo, mas não os mesmos personagens. Nada de Garth querendo pegar a Vana e as outras, afinal quem lia os suplementos coloridos eram mais crianças. Assim, os personagens centrais eram outros. Um cowboy texano pré-adolescente vê um disco voador de Terra parado perto do seu rancho, entra pra dar uma espiada e é levado pra lá por engano. Lá acaba fazendo amizade com um outro moleque da sua idade, o Príncipe Torro, que tinha sangue azul... a monarquia já havia sido abolida mas a família real gozava de privilégios. Juntos, Punch e Torro ficam explorando continentes perdidos do planeta e até encontram uma adolescente gostosa, Lahna, que se junta a eles. Mas, ao contrário de hoje em dia, ninguém pegava ninguém, eram todos só amiguinhos. Não rolava nem ao menos uma mão boba. ![]() O planeta gêmeo já tinha telefones com webcam em 1952. Torro diz a Punch "em uns dois anos vocês vão ter isso na Terra também." (demorou mais uns 40)
Os personagens das tiras não apareciam nas dominicais, e vice-versa. Eram tramas paralelas. A única exceção eram os Pigmeus do Espaço,----> alienígenas que num determinado momento invadem Terra e causam um estrago no planeta, forçando um êxodo do povo de Terra para Earth, que se alia a eles e ajuda a impedir que a invasão dos Pigmeus se estenda para o nosso lado. Enquanto isso, Punch e Torro estão explorando Terrália, um continente de Terra que corresponde à nossa Austrália e onde ainda viviam animais pré-históricos. Eles encontram um ou outro grupo de Pigmeus que aparecem por lá por engano, já que esse continente deserto não interessava muito a eles. Voltando ainda mais no tempo, esse conceito do mundo gêmeo é mais antigo ainda. Na Grécia Antiga, Pitágoras afirmava que um planeta desses existia além dos já conhecidos (Mercúrio, Marte, Vênus, Saturno, que podiam ser vistos a olho nu, já que os telescópios ainda não tinham sido inventados). Evidentemente a existência de um planeta assim é impossível, ou as sondas espaciais já o teriam detectado. Mesmo nos anos 50 já se sabia que não era possível um planeta desses. Mas a imaginação dos quadrinistas não liga para essas coisas. Twin Earths (Terras Gêmeas) é uma bela história. E voltando ao Brucutu, quero ver quando ele vai aparecer na história... pelo visto vai demorar mais uma semana até o Papanatas dizer que topa construir uma espaçonave pra ir visitar a Terra-2... vamos ver se é semelhante à Terra de 1952, nesse caso a Ula namorada do Brucutu vai morrer de ciúmes. Permalink |